Energia e Cicatrização – Como o nosso corpo funciona do ponto de vista energético.

Quando se fala em energia e funcionamento do nosso organismo, pouca gente sabe que esse assunto ja é bastante estudado, e há um suporte científico bastante forte. O estudo e a compreensão de como as cargas elétricas interagem no nosso corpo podem mudar radicalmente a maneira de ver  a fisiologia (como o corpo funciona),  o adoecimento e o tratamento das doenças. Tudo que vou falar aqui é um resumo do que foi publicado recentemente pela revista científica Medical Hypotheses, em um artigo onde sou o principal autor, desenvolvido no programa de pós-graduação em Cirurgia Translacional da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. É a primeira vez que o mecanismo energético do funcionamento dos seres vivos é descrito detalhadamente, com uma nova racionalidade, onde podemos entender que os outros estudos – bioquímica, biologia molecular – receptores e até a genética e embriologia – são consequências das interações energéticas. O artigo pode ser acessado no link http://dx.doi.org/10.1016/j.mehy.2013.11.038 .

OS CAMPOS VITAIS

Em primeiro lugar, é fundamental citar os trabalhos do Dr. Burr, desenvolvidos principalmente na primeira metade do século XX. Dr. Burr, que foi professor de anatomia da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, percebeu que é muito difícil de medir a diferença de potencial elétrico (“voltagem”) no corpo humano com voltímetros comuns, daí ele desenvolveu um voltímetro valvulado especial, de modo a medir as diferenças elétricas sem a necessidade de injetar nenhuma eletricidade no corpo medido. E com esse voltímetro especial, ele verificou muita coisa interessante.

Por exemplo, ele descobriu que antes de formar o embrião de um sapo, aparecia uma diferença elétrica. E que essa diferença se formava exatamente no eixo onde iria crescer o futuro girino, da cabeça à cauda. No embrião da salamandra, a diferença elétrica entre a cauda e a cabeça mudava conforme o estágio de desenvolvimento.

Através desse mesmo método, medindo diferenças elétricas, o grupo liderado por Burr demonstrou que animais e humanos saudáveis mostravam comportamento elétrico diferente dos doentes. Ele demonstrou, por exemplo, que tanto os animais como humanos com câncer apresentam padrões diferentes de distribuição elétrica.

Os estudos de Burr concluíram que os seres vivos apresentam padrões de energia eletrostática flutuante, que eles denominaram “L-Fields”, onde L vem de life (vida em inglês, que podem ser traduzidos livremente como “campos vitais”.

OS CIRCUITOS ELÉTRICOS BIOLOGICAMENTE FECHADOS

Na segunda metade do século XX outro pesquisador, o médico radiologista sueco Björn Nordenström, do Instituto Karolinska e que foi presidente do prêmio Nobel de medicina e fisiologia, notou algo diferente em radiografias de tumores malignos do pulmão. Ele viu que em volta do tumor havia uma coroa mais escura (onde os raios-X passavam com mais facilidade), entrelaçadas por faixas mais claras (de tecido mais denso, onde os raios-X passavam com dificuldade). Desconfiado que havia alguma interação elétrica, Nordenström conseguiu medir as diferenças elétricas durante as biópsias, colocando eletrodos nos tumores e na periferia. Depois de vários experimentos em humanos e animais, ele confirmou que havia um sistema de circulação de energia nos organismos vivos semelhantes a circuitos elétricos, só que ao invés de fios, nós temos vasos sanguíneos, onde a parede dos vasos funciona como isolante e o plasma (o líquido do sangue) funciona como condutor elétrico. Ele chamou esse sistema de circuitos elétricos biologicamente fechados.

A BATERIA CUTÂNEA

Vários cientistas entre eles o já falado Burr e também Barker estudaram o fenômeno da cicatrização do ponto de visto elétrico, e descobriram que imediatamente após a lesão da pele já se forma uma diferença de potencial elétrico, que muda durante o processo de cura da lesão. Essa corrente elétrica é tão importante, que foi chamada de bateria cutânea. Outros experimentos mostraram que aumentando a corrente elétrica, a cicatrização fica mais rápida e por outro lado, se invertermos a polaridade, a cicatrização diminui ou até estaciona.

A EXCLUSÃO INTERSTICIAL

Cientistas examinaram a relação entre a albumina (responsável pela hidratação da pele), o colágeno (que tem carga positiva) e um grupo de açúcares chamados de glicosaminoglicanos (que tem carga negativa). E descobriram que a quantidade de cargas negativas no tecido é responsável pela hidratação da pele.

A ESTABILIDADE COLOIDAL E O POTENCIAL ZETA

Colóides são suspensões onde há partículas maiores que as moléculas do solvente. Essas partículas não “grudem” umas nas outras porque há um pequeno potencial elétrico circundando-as, conhecido como Potencial Zeta. Esse potencial é responsável pela repulsão entre as partículas do colóide. O pioneiro em aplicar a química coloidal ao organismo vivo, em particular ao sangue, foi Riddick. Ele demonstrou (e outros chegaram a mesma conclusão) que conforme o Potencial Zeta vai ficando mais fraco, as hemácias vão ficando mais próximas, mecanismo esse que explica a hipertensão arterial e as doenças coronarianas.

Muitas doenças estão relacionadas com a agregação dos glóbulos vermelhos no sangue, como hipertensão arterial, doenças isquêmicas do coração, isquemia cerebral, pré-eclâmpsia, síndrome metabólica, diabetes, HIV e outras infecções.

Além do sangue, outros tecidos também se comportam de maneira semelhante em relação ao Potencial Zeta. Por exemplo, peles artificiais mais aderem em feridas quanto mais positivo for o Potencial Zeta. A mesma coisa acontece na mucosa da bexiga.

Portanto o Potencial Zeta é responsável pela força de coesão (de ficar mais próximo) de vários tecidos, não só do sangue.

UM NOVO CONCEITO DA FORMAÇÃO DOS TECIDOS E DA CICATRIZAÇÃO

Depois de analisar todos os estudos, uma nova fisiologia energética começa a se formar. Os tecidos começam ser vistos como colóides, uns mais agregados (como o osso) e outros menos (como o sangue). Os vasos sanguíneos, por exemplo, teriam um potencial zeta mais fraco na parede e mais forte dentro do sangue. E depois de qualquer lesão desses tecidos, as cargas elétricas e as mudanças do potencial zeta seriam responsáveis pela sinalização da cicatrização e o reparo do tecido. As doenças crônicas surgiriam quando esse sistema não funcionasse de maneira adequada.

O curioso é que todos os fenômenos químicos podem ser interpretados em termos das alterações de carga elétrica e do potencial zeta. Isso abre uma nova era para a compreensão de como o nosso corpo funciona, como adoece e como se cura. E também como funcionam tratamentos não químicos, como os estímulos elétricos, laser ou acupuntura.

Concluindo, a visão energética do funcionamento dos organismos vivos é uma realidade. Campos vitais interagem através dos circuitos elétricos biológicos, as cargas elétricas alterando a distância entre as partículas do colóide, formando um organismo vivo  bioelétrico. E o conhecimento desses fenômenos pode trazer uma nova era para a medicina, onde os tratamentos vão facilitar o nosso sistema natural de reparação dos tecidos.

Para saber mais: Farber PL, Hochman B, Furtado F, Ferreira LM. Electricity and colloidal stability: How charge distribution in the tissue can affects wound healing. Med Hypotheses. 2013 Dec 9. pii: S0306-9877(13)00567-7. doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.mehy.2013.11.038

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Coordenação Internacional:

Prof. José Travassos Valdez (Nisa – Portugal) Presidente, Associação Portuguesa de Termografia e Diagnósticos

Coordenação no Brasil:

Prof. Dr. Paulo Luiz Farber, PhD (São Paulo) – Instrutor oficial da Associação Portuguesa de Termografia e Diagnósticos Complementares – Professor do Programa de Pós-Graduação em Cirurgia Translacional da UNIFESP – Escola Paulista de Medicina – Graduação e Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP – Vice-presidente para a América do Sul da International Association for Biologically Closed Electric Circuits – IABC

Programa do Curso:

http://www.thermography.pt/curso-termografia-prog

A Consulta Médica

 

           Doutor, estou com uma dor de estômago. Você pode me pedir uma ressonância da barriga?

            Para um médico experiente, a afirmação acima é absurda, quase surreal. Mas para uma boa parte da população, acostumada com consultas de dez minutos onde o médico ouve a queixa e pede exames, pode até parecer certo. Mas não é. Então, talvez, tenhamos que rever como é feito o diagnóstico e o tratamento médico.

 

            A primeira coisa que o médico escuta é a queixa do paciente que o trouxe ao consultório ou ao hospital. No caso citado é a dor, mas não no estômago, mesmo porque nem o médico nem o paciente fazem idéia ainda de qual é o órgão acometido, mas sim a região da pele onde a dor é referida. No caso, provavelmente é na pele por cima onde fica o estômago, que o médico chama de “epigástrio”.  Mas tem um aspecto muito importante que só a sensibilidade do médico pode avaliar: O sofrimento do paciente, o quanto que a qualidade de vida do paciente está comprometida e as dificuldades para realizar os eventos cotidiano. Ou seja, o médico está lá para ajudar aquele que está sofrendo.

 

Neste momento começa a passar pela cabeça do médico os diagnósticos mais comuns, como gastrite, esofagite, cólica biliar (da vesícula), infarto do miocárdio (ataque do coração – sim, pode apresentar somente uma dor no epigástrio) entre outros. Muitos não sabem que um problema da vesícula biliar pode até apresentar dor no ombro, e ser tratado como um problema articular ou muscular quando, na realidade, o problema é muito maior.

 

Depois o médico vai perguntar desde quando o sintoma apareceu, quando melhora ou quando piora, e outros sintomas associados como enjôo, dor de cabeça, cólica menstrual, hábitos intestinais, sangramentos, entre outros e os diagnósticos diferenciais vão abrindo na cabeça do médico. Os diagnósticos só podem ser feitos se o médico pensar neles.

 

Neste momento o médico já tem algumas hipóteses diagnósticas que vão aos poucos sendo descartadas ou reforçadas com a anamnese, a conversa que se tem com o médico.

 

A seguir, a conversa continua com as doenças e sintomas que o paciente tem ou já teve, os remédios que toma, as doenças familiares, e tudo isso ajuda a formar um panorama de quem é aquela pessoa que está na sua frente, do ponto de vista médico. Se o médico tem uma formação em medicina chinesa ou em homeopatia, por exemplo, ele acrescentará perguntas que o ajudarão na hora do tratamento.

 

Depois disto o médico deve realizar o exame físico. É impossível fazer medicina sem examinar, sem olhar cuidadosamente o paciente, sem prestar atenção nos sinais que ajudarão a entender o sofrimento de quem está ali, como por exemplo  se está desidratado, se o pulso está rápido ou lento, ou mesmo até a cor alterada da pele, por exemplo  amarelada (icterícia) e apresentar no peito algumas veias em forma de aranha, que indicam um problema grave do fígado. Sem examinar, fazer diagnóstico é impossível. Alguém pode até achar uma doença em algum exame, mas pode até não ser o problema principal. Isso é o que chamamos de “achado de exame”, muitas vezes sem importância clínica.

 

Neste momento a tecnologia vem ampliar e ajudar os sentidos do médico. O médico deve aferir a pressão arterial, e alguns instrumentos, como o estetoscópio, vão ampliar o ouvido do médico, fazendo-o escutar sopros no coração, arritmias cardíacas, ruídos intestinais, passagem de ar e sons no pulmão.

 

Recentemente mais uma forma de ampliar os sentidos do médico está sendo utilizado, a termografia. A termografia é um tipo de fotografia digital,  que mostra os raios infravermelhos, ou seja, o calor, assim como aqueles óculos militares para enxergar no escuro. Em relação à medicina, o médico vai procurar áreas no corpo onde há mais ou menos calor, e isso vai ajudá-lo nos diagnósticos diferenciais. Futuramente, acredito, que o termógrafo vai ser tão comum quanto o estetoscópio para o médico.

 

Vejam, por exemplo, uma termografia com um ponto mais quente na região do fígado (o qual chamamos de hipocôndrio direito). Isso mostra que, alí por baixo da pele, na área correspondente ao fígado, tem algo que está fazendo  a pele ficar mais quente pois está irradiando mais raios infravermelhos.

 Imagem

Depois de toda a anamnese (conversa) e exame físico o médico já tem algumas hipóteses diagnósticas, e tem uma idéia  como está o emocional do paciente, de como são seus hábitos de vida, e o que o está fazendo sofrer. Ou seja, o “nome da doença”, ou o diagnóstico médico, é importante, mas é somente uma parte da consulta.

 

Só depois de tudo isto chega o momento dos exames complementares que podem incluir exames de sangue, urina, fezes,  exames de imagem como ultra-sonografia, tomografia ou ressonância magnética, eletrocardiograma, entre outros. Mas os exames, como o nome diz, são complementares, não servem para nada sem os passos citados.

 

E finalmente, após anamnese, exame físico, exames complementares, avaliação dos hábitos de vida, o médico está apto, junto com o paciente, a decidir o que podem juntos fazer para que o paciente melhore de saúde e de qualidade de vida.

 

A última coisa é o tratamento, que pode incluir (mas nem sempre) remédios, mudanças de estilo de vida, mudanças alimentares, ajuda de outros profissionais de saúde como farmacêuticos, nutricionistas, naturólogos e fisioterapeutas. E se o tratamento incluir medicamentos com efeitos colaterais, isto deverá ser alertado.

 

Por fim, o bem estar do paciente é o principal objetivo do médico.

 

Mas porque escrevi este texto? Porque estou com a impressão de que alguns médicos, pacientes e outros profissionais de saúde não sabem, não conhecem ou esqueceram o que é uma consulta médica.

 

 

 

 

Sobre o Veto ao Ato Médico

Prezados Amigos,

Sei que há uma polêmica com relação ao ato médico, vetado em sua essência pela presidente Dilma.
Proponho que todos que sejam “contra” em primeiro lugar leiam a lei na íntegra, sem os vetos.
A lei não tolhe ninguém, simplesmente regulamenta o que é a profissão de medicina.

Duas coisas que foram vetadas – Diagnóstico nosológico e Prescrição de medicamentos.

Não há ninguém mais capacitado do que o médico para o diagnóstico nosológico (de doenças). a nutricionista faz diagnóstico nutricional, o fisioterapeuta faz diagnóstico fisioterápico. Agora se o veto for mantido, qualquer um, sem preparo adequado, poderá dar o diagnóstico nosológico.

Também com relação à prescrição de medicamentos farmacológicos, não há profissional mais habilitado do que o médico.

Isso (Diagnóstico e Prescrição) já é feito por médicos há séculos. A lei só vem regulamentar.

Respeito e trabalho com outros profissionais de saúde, e admiro cada profissional.

Agora olhem o que pode acontecer, se a lei ficar com os vetos.

O médico pode fazer qualquer bobagem, que se for cassado pelo CRM, vai poder continuar diagnosticando e prescrevendo. Afinal, diagnóstico e prescrição não são mais exclusividades médicas.

O governo não precisa mais de revalidação de diploma nenhum, pois qualquer profissional pode diagnosticar e prescrever. Então para que revalidar o diploma?

Também não vai precisar ser médico, fazer 6 (ou 8 anos como quer o governo agora) para diagnosticar e tratar o povo. Qualquer um com 3 ou 4 anos de qualquer formação vai poder fazer isso, afinal a lei permite.

Então, do jeito que está, acabou a medicina. Qualquer um com qualquer formação pode prescrever e diagnosticar. A lei não coloca limites, vetou e não regulamentou.

Era melhor sem lei.

Agora virou uma anarquia jurídica.

Quem vai ser prejudicado é o POVO. Aquele que mais necessita do tratamento médico.

Estou em luta a favor da derrubada do veto.

Se o congresso não tomar uma atitude e derrubar esse veto, não são os médicos que serão os maiores prejudicados, mas sim a população que estará totalmente desprotegida.

A Manifestação do dia 17 de Junho de 2013

Raramente eu me posiciono politicamente, porque não consigo ver nenhuma opção política que me agrade. Escolher o “menos ruim” chega a ser patético, faço isso muitas vezes, mas sem a convicção suficiente para defender um ou outro lado.
Agora estou surpreso com a manifestação nas ruas. Uma das melhores coisas do atual governo, que foi a melhora das condições financeiras dos menos favorecidos e do crescimento da nova classe “C”, que associado ao acesso às redes sociais (principalmente o Facebook) criou uma possibilidade antes impensável. Dizia-se na época da ditadura que, se o povo programasse uma manifestação, bastava marcar um jogo de futebol que a manifestação acabava. Estamos no meio de uma copa das confederações, mesmo assim ontem em 11 capitais brasileiras, milhares de pessoas foram as ruas para protestar. Os “20 centavos” foram somente o estopim para a profunda insatisfação das pessoas com o sistema atual de poder, que inclui TODOS os partidos políticos que de alguma forma exerceram o poder após o estabelecimento da democracia no Brasil.
Aproveitando a “onda”, resolvi colocar o que acredito ser um sistema de governo ideal. Muitos vão achar utópico, mas já que as pessoas estão dispostas a mudar a mentalidade, por que não?

1. Fim da corrupção, com tolerância zero. Qualquer pessoa indiciada por corrupção deve ficar inelegível até que se apure a questão, e se for comprovada, cadeia. Simples assim, criminoso deve ser tratado como tal, seja analfabeto ou presidente da república. Em todos os âmbitos administrativos, e nos 3 poderes.
2. Repatriação de todos o dinheiro originado por corrupção, com uma investigação minunciosa de todos os governos anteriores. Realmente é necessário uma “caça às bruxas”.Sei que é impossível governar sozinho, então vamos ter que governar com o povo.
3. Qualquer investimento do governo tem que priorizar saúde, educação e moradia. Chega de “construir banheiro de ouro em barraco”, priorizando obras que vão gerar mais corrupção. Temos o direito de ver o nosso imposto revertido para escolas de qualidade, investimento na manutenção e cuidados com a saúdes (não é só construir hospitais, mas com uma política de saúde pública e alimentação de qualidade). Sei que todos os governos tem políticas assim, mas prioridade é prioridade. O dinheiro tem que vir aqui. Gostaria que meu imposto fosse gasto de maneira que pudesse me orgulhar das escolas públicas, e que ninguém precisasse pagar plano de saúde.
4. Qualquer política assistencialista tem que tem contrapartida do ajudado. Recebe uma bolsa do governo? Vai ter que aprender uma profissão, vai ter que estudar, vai ter que trabalhar para isso.
5. Fim do voto obrigatório. Povo educado vai votar por que quer, não porque é obrigado.
6. Políticos tem que trabalhar por gosto, não pelo salário. Precisa diminuir drasticamente os benefícios para os políticos, chega de mordomia. Se achar pouco, vai trabalhar em outra coisa. Se for roubar, vide ítem 1.
7. Depois dos ítens acima, está na hora de melhorar o patriotismo. Temos que ter orgulho do país que vivemos, e não vergonha. E precisamos urgente de campanhas para melhorar a índole do brasileiro, acabar com a ânsia de ficar mostrando o que tem como sendo importante (e que fomenta a criminalidade).
8. Fim do tráfico de drogas. Como? Legalizando todas as drogas, e com campanhas maciças do efeito real das drogas, vendendo as drogas na farmácia e tratando os viciados. Se hoje quase ninguém fuma cigarro, e quem fuma o faz sabendo a porcaria que é, foi por causa de campanhas de esclarescimento.
9. Precisamos criar uma pátria que as pessoas sintam vergonha da violência, do jeitinho brasileiro, da propina para a autoridade. Com educação já é um bom começo, mas precisamos de uma nova identidade. Pelo fim do “malandro”, pelo fim da “lei de Gerson”. E é possível, tem um monte de gente que quer assim, só precisa dar voz a eles.
O país descrito acima não existe, mas não custa sonhar com um Brasil íntegro, sem jeitinho, onde possamos ter orgulho de ser brasileiros. E não a vergonha que é.
Obrigado aos manifestantes de 17 de Março de 2013.
Dr. Paulo Farber

É Normal?

É normal ficar doente?

É normal aumentarmos nossa insulina com açúcar e amido.
É normal dar açúcar até para crianças. Normal e incentivado.
É normal nos intoxicarmos com álcool, tabaco, pesticidas, conservantes.
É normal fazermos pouco exercício.
É normal nos escondermos do sol, ou passarmos filtro solar.
É normal deixarmos o convívio da família e trabalhar mais para podermos conquistar troféus para mostrarmos a sociedade como estamos “bem”, desde um carro novo, um apartamento maior, ou até uma viagem mais bacana (para mostrar para os outros, claro).
É normal deixarmos de amar.
É normal dormirmos no meio de uma poluição eletromagnética, com aparelhos ligados no quarto.

Daí

É normal ficarmos com as artérias entupidas.
É normal a pressão subir.
É normal o metabolismo de carboidratos ficar maluco, gerando pré-diabetes e diabetes.
É normal nossas glândulas pararem de funcionar como esperado.
É normal a imunidade baixar, sem que possamos nos defender de vírus, bactérias ou fungos.
É normal não sentir ânimo para nada.
É normal já acordar cansado e sentir-se cansado o dia inteiro.
É normal as células do corpo mudarem o DNA e começarem a reproduzir como malucas, gerando tumores.
É normal desenvolvermos anticorpos contra nosso corpo.

Depois

É normal precisarmos de remédios para tratar as doenças.
É normal os cientistas acharem que só ficamos doentes por causa de um gene diferente ao nascimento, gastarem muito dinheiro procurando, e não acharem.
É normal termos que tomar remédios para baixar a pressão arterial e para diabetes.
É normal sugerir que todos tomem um determinado remédio porque ele pode ter algum efeito protetor, mas que destrói os músculos do corpo, já que todos estão doentes mesmo.
É normal tomarmos antidepressivos para sentirmos menos cansados.
É normal envenenarmos o nosso corpo para matar células que estão se reproduzindo.
É normal acabar com as defesas do organismo para que diminua a produção de anticorpos contra ele mesmo.

Eu não acho nada normal. Acho que o dinheiro da ciência deveria ser investido em recuperação de saúde. Acho que os laboratórios clínicos deveriam medir o quanto a pessoa tem de saúde, como por exemplo, através da agregação eritrocitária e das relações coloidais do sangue. Mas está tudo dirigido para a manutenção da doença, e não para a saúde. E é “Normal”.

Osteoporose: Será que o tratamento atual é o melhor?

Os suplementos de cálcio aumentam as chances de infarto do miocárdio (“ataque do coração”). Essa conclusão de um artigo recente da revista científica “Heart” só veio confirmar o que há muito tempo já sabíamos: O tratamento da osteoporose deve ser revisto. (Li K, Kaaks R, Linseisen J, Rohrmann S. Associations of dietary calcium intake and calcium supplementation with myocardial infarction and stroke risk and overall cardiovascular mortality in the Heidelberg cohort of the European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition study (EPIC-Heidelberg). Heart. 2012 Jun;98(12):920-5(o artigo completo está aqui).

Uma das situações mais dramáticas na terceira idade é quando um idoso fratura um osso. O comprometimento da qualidade de vida costuma ser brutal, pois o tipo de fratura (como no colo do fêmur) e a dificuldade de consolidação acabam gerando meses de inatividade, cirurgias, assistência no leito, reabilitação lenta, entre outros dramas que acabam gerando dificuldades não só para o paciente como para todos que o cercam.

A ciência tem procurado minimizar a situação tentando diminuir a taxa de fraturas, com exames que medem a densidade do osso, e tratamentos para deixar o osso mais “duro”. Vale a pena discutir se essa abordagem é a mais adequada, através da compreensão dos mecanismos do aparecimento deste sintoma. Sim, porque a osteoporose pode ser vista como apenas um sintoma, como uma dor ou uma febre. E, assim como a dor e a febre, não adianta ficar tomando analgésicos ou antitérmicos.

Vamos começar falando sobre o cálcio. Qual a principal função do cálcio? Se alguém pensou na fabricação do osso, errou. O Cálcio é muito mais importante no funcionamento das células do sistema nervoso (nervos e cérebro) e dos músculos (não só da musculatura esquelética, mas também do músculo cardíaco e da  musculatura lisa, como do intestino ou das artérias). Na verdade o nosso corpo praticamente não funciona sem cálcio.  (Cheng H, Lederer WJ. Calcium sparks. Physiol Rev. 2008 Oct;88(4):1491-545.)

Portanto, temos um íon que é extremamente importante para várias funções do organismo, e que não pode faltar, senão os músculos não relaxam, o coração para, a digestão não progride, as artérias não controlam a pressão, o útero não contrai, a urina não sai, e o cérebro, a medula espinhal e os nervos não conduzem o impulso nervoso.

Sem  o cálcio não existe vida, então não pode faltá-lo na circulação sanguínea.

E nós precisamos de um grande depósito para que nunca falte nas atividades essenciais do nosso organismo. E esse depósito é o osso, que ainda funciona para sustentação do organismo. O controle do cálcio no sangue é feito por hormônios como o paratormônio(da paratireóide), a calcitonina (da tireóide) e a vitamina D (“a vitamina do sol”).    (Guyton & Hall: Textbook of Medical Physiology, 12ed, 2011).

Daí algo acontece no idoso que faz com que comece a faltar o cálcio nos músculos e nervos, levando ao aumento da retirada de cálcio do osso. Portanto a osteoporose não é uma doença em si, mas o sintoma que o organismo andou retirando cálcio demais do osso.

Mas porque está faltando cálcio nos nervos e músculos, já que na maioria dos casos o cálcio no sangue está normal? Com o avançar da idade, aumenta a agregação eritrocitária, ou seja, os glóbulos vermelhos estão mais grudados, diminuindo a circulação nos vasos sanguíneos menores, como os capilares que nutrem os nervos e os músculos (já escrevi sobre isso aqui).  A alteração da microcirculação faz com que falte cálcio (assim como outros nutrientes) nos órgãos nutridos pelos capilares (vasos sanguíneos muito pequenos) (Tikhomirova IA, Oslyakova AO, Mikhailova SG. Microcirculation and blood rheology in patients with cerebrovascular disorders. Clin Hemorheol Microcirc. 2011;49(1-4):295-305.). O transporte de cálcio para as células fica então prejudicado, fazendo com  que o nosso organismo aumente a retirada de cálcio do osso (reabsorção óssea). Em patologias como na diabetes tipo II, onde a agregação eritrocitária está bem aumentada, o índice de fraturas também aumenta, apesar da aparente densitometria óssea normal (Yamaguchi T, Sugimoto T. Bone metabolism and fracture risk in type 2 diabetes  mellitus. Endocr J. 2011;58(8):613-24. Cho YI, Mooney MP, Cho DJ. Hemorheological disorders in diabetes mellitus. J Diabetes Sci Technol. 2008 Nov;2(6):1130-8). Isso ao longo dos anos, somado à deficiência de vitamina D, causada principalmente pela falta da exposição ao sol, desencadeia a osteoporose (Binkley N. Vitamin D and osteoporosis-related fracture. Arch Biochem Biophys. 2012 Jul 1;523(1):115-22).

Então o que temos? Idosos, com diminuição de circulação em músculos e nervos, o que impede o transporte do cálcio para esses tecidos, com o organismo tentando repor esse cálcio retirando-o do osso. E infelizmente os tratamentos atuais só levam em consideração a densidade dos ossos.

Uma das coisas que se tenta fazer é a suplementação do cálcio, que nada mais é do que aumentar a quantidade de cálcio no sangue para não ser transportado. O aumento do cálcio no sangue também acaba aumentando a agregação eritrocitária, diminuindo a microcirculação (Cicco G, Carbonara MC, Stingi GD, Pirrelli A. Cytosolic calcium and hemorheological patterns during arterial hypertension. Clin Hemorheol Microcirc. 2001;24(1):25-31.). Também pode começar a depositar o cálcio nas paredes das veias e artérias. Por isso a suplementação de cálcio pouco faz pelo organismo, no máximo aumentando temporariamente o cálcio disponível no sangue (diminuindo a retirada do osso), mas esse cálcio não consegue atingir justamente as áreas mais afetadas. O resultado de tudo isso pode levar ao endurecimento das artérias e o aumento da agregação das hemácias, o que facilita eventos como o infarto do miocárdio. O aumento das taxas de infarto do miocárdio nos pacientes que tomam reposição de cálcio está bem aumentado, que foi verificado não só nesse artigo da Heart como em outras publicações(Meier C, Kränzlin ME. Calcium supplementation, osteoporosis and cardiovascular disease. Swiss Med Wkly. 2011 Aug 31;141:w13260.  Bolland MJ, Grey A, Avenell A, Gamble GD, Reid IR. Calcium supplements with or without vitamin D and risk of cardiovascular events: reanalysis of the Women’s Health Initiative limited access dataset and meta-analysis. BMJ. 2011 Apr 19;342:d2040.) . Muitas vezes a suplementação do cálcio é feita com uma quantidade muito pequena de vitamina D3, em torno de 200UI a 400 UI, o que é melhor do que nada, mas não ajuda muito, já que normalmente esses pacientes têm uma deficiência muito grande desta vitamina, e a baixa vitamina no sangue está associada ao risco de doenças cardiovasculares.(Pilz S, Kienreich K, Tomaschitz A, Lerchbaum E, Meinitzer A, März W, Zittermann A, Dekker JM. Vitamin D and cardiovascular disease: Update and outlook. Scand J Clin Lab Invest Suppl. 2012;243:83-91.)

Outra solução atual no sentido de melhorar a saúde dos ossos é  interromper a retirada de cálcio do osso (Honig S. Osteoporosis – new treatments and updates. Bull NYU Hosp Jt Dis. 2011;69(3):253-6.). Esses tratamentos, muito populares no momento, diminuem a função dos osteoclastos (células responsáveis por retirar o cálcio dos ossos), e acabam atrapalhando a tentativa do nosso organismo de restabelecer a quantidade de cálcio necessária para os músculos e os nervos funcionarem. Ou seja, pode até ser que diminuam um pouco o índice de fraturas, mas tem o potencial de atrapalhar bastante a fisiologia já frágil do idoso. E ainda causam alterações ósseas que podem levar a necrose dos ossos das mandíbulas e fraturas atípicas do fêmur, além de outros efeitos como a diminuição do cálcio no sangue (o que obriga os médicos a receitar os suplementos de cálcio que só pioram a situação do paciente) (Arboleya L, Alperi M, Alonso S. Adverse effects of bisphosphonates. Reumatol Clin. 2011 May-Jun;7(3):189-97, Park-Wyllie LY, Mamdani MM, Juurlink DN, Hawker GA, Gunraj N, Austin PC, Whelan DB, Weiler PJ, Laupacis A. Bisphosphonate use and the risk of subtrochanteric or femoral shaft fractures in older women. JAMA. 2011 Feb 23;305(8):783-)

Isso posto, podemos concluir que o tratamento atual da osteoporose apenas melhora um pouco a condição da densidade do osso, com o prejuízo da saúde do resto do organismo. Músculos e nervos ficam gravemente prejudicados, e a chance de causarmos um infarto do miocárdio aumenta muito, além de aumentar a chance de fraturas atípicas, necrose de mandíbula e outros efeitos colaterais. Na minha opinião, estamos muito longe de um tratamento ideal.

E qual seria o tratamento ideal? O tratamento ideal tem que respeitar o funcionamento do nosso organismo e promover a saúde como um todo, e não simplesmente ficar olhando somente para o osso. O tratamento tem que focar na melhora da microcirculação e na diminuição da agregação eritrocitária. E aumentar a vitamina D do sangue para níveis ideais, de preferência naturalmente, através da exposição ao sol no horário de maior incidência de raios ultravioleta B (próximo da hora do almoço), sem filtro solar, até a pele começar a avermelhar, ou pela reposição da vitamina D3.  Do jeito que é feito hoje estamos simplesmente gerando indivíduos com um osso um pouco mais denso, mas com doenças que não compensam a melhora em um exame (a densitometria óssea). O que adianta ter um osso um pouco melhor, mas com a saúde pior, com o organismo tentando corrigir, tirando o cálcio do osso, e o tratamento impedindo-o. O que importa é ter saúde para não precisar retirar o cálcio do osso.