Energia e Cicatrização – Como o nosso corpo funciona do ponto de vista energético.

Quando se fala em energia e funcionamento do nosso organismo, pouca gente sabe que esse assunto ja é bastante estudado, e há um suporte científico bastante forte. O estudo e a compreensão de como as cargas elétricas interagem no nosso corpo podem mudar radicalmente a maneira de ver  a fisiologia (como o corpo funciona),  o adoecimento e o tratamento das doenças. Tudo que vou falar aqui é um resumo do que foi publicado recentemente pela revista científica Medical Hypotheses, em um artigo onde sou o principal autor, desenvolvido no programa de pós-graduação em Cirurgia Translacional da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. É a primeira vez que o mecanismo energético do funcionamento dos seres vivos é descrito detalhadamente, com uma nova racionalidade, onde podemos entender que os outros estudos – bioquímica, biologia molecular – receptores e até a genética e embriologia – são consequências das interações energéticas. O artigo pode ser acessado no link http://dx.doi.org/10.1016/j.mehy.2013.11.038 .

OS CAMPOS VITAIS

Em primeiro lugar, é fundamental citar os trabalhos do Dr. Burr, desenvolvidos principalmente na primeira metade do século XX. Dr. Burr, que foi professor de anatomia da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, percebeu que é muito difícil de medir a diferença de potencial elétrico (“voltagem”) no corpo humano com voltímetros comuns, daí ele desenvolveu um voltímetro valvulado especial, de modo a medir as diferenças elétricas sem a necessidade de injetar nenhuma eletricidade no corpo medido. E com esse voltímetro especial, ele verificou muita coisa interessante.

Por exemplo, ele descobriu que antes de formar o embrião de um sapo, aparecia uma diferença elétrica. E que essa diferença se formava exatamente no eixo onde iria crescer o futuro girino, da cabeça à cauda. No embrião da salamandra, a diferença elétrica entre a cauda e a cabeça mudava conforme o estágio de desenvolvimento.

Através desse mesmo método, medindo diferenças elétricas, o grupo liderado por Burr demonstrou que animais e humanos saudáveis mostravam comportamento elétrico diferente dos doentes. Ele demonstrou, por exemplo, que tanto os animais como humanos com câncer apresentam padrões diferentes de distribuição elétrica.

Os estudos de Burr concluíram que os seres vivos apresentam padrões de energia eletrostática flutuante, que eles denominaram “L-Fields”, onde L vem de life (vida em inglês, que podem ser traduzidos livremente como “campos vitais”.

OS CIRCUITOS ELÉTRICOS BIOLOGICAMENTE FECHADOS

Na segunda metade do século XX outro pesquisador, o médico radiologista sueco Björn Nordenström, do Instituto Karolinska e que foi presidente do prêmio Nobel de medicina e fisiologia, notou algo diferente em radiografias de tumores malignos do pulmão. Ele viu que em volta do tumor havia uma coroa mais escura (onde os raios-X passavam com mais facilidade), entrelaçadas por faixas mais claras (de tecido mais denso, onde os raios-X passavam com dificuldade). Desconfiado que havia alguma interação elétrica, Nordenström conseguiu medir as diferenças elétricas durante as biópsias, colocando eletrodos nos tumores e na periferia. Depois de vários experimentos em humanos e animais, ele confirmou que havia um sistema de circulação de energia nos organismos vivos semelhantes a circuitos elétricos, só que ao invés de fios, nós temos vasos sanguíneos, onde a parede dos vasos funciona como isolante e o plasma (o líquido do sangue) funciona como condutor elétrico. Ele chamou esse sistema de circuitos elétricos biologicamente fechados.

A BATERIA CUTÂNEA

Vários cientistas entre eles o já falado Burr e também Barker estudaram o fenômeno da cicatrização do ponto de visto elétrico, e descobriram que imediatamente após a lesão da pele já se forma uma diferença de potencial elétrico, que muda durante o processo de cura da lesão. Essa corrente elétrica é tão importante, que foi chamada de bateria cutânea. Outros experimentos mostraram que aumentando a corrente elétrica, a cicatrização fica mais rápida e por outro lado, se invertermos a polaridade, a cicatrização diminui ou até estaciona.

A EXCLUSÃO INTERSTICIAL

Cientistas examinaram a relação entre a albumina (responsável pela hidratação da pele), o colágeno (que tem carga positiva) e um grupo de açúcares chamados de glicosaminoglicanos (que tem carga negativa). E descobriram que a quantidade de cargas negativas no tecido é responsável pela hidratação da pele.

A ESTABILIDADE COLOIDAL E O POTENCIAL ZETA

Colóides são suspensões onde há partículas maiores que as moléculas do solvente. Essas partículas não “grudem” umas nas outras porque há um pequeno potencial elétrico circundando-as, conhecido como Potencial Zeta. Esse potencial é responsável pela repulsão entre as partículas do colóide. O pioneiro em aplicar a química coloidal ao organismo vivo, em particular ao sangue, foi Riddick. Ele demonstrou (e outros chegaram a mesma conclusão) que conforme o Potencial Zeta vai ficando mais fraco, as hemácias vão ficando mais próximas, mecanismo esse que explica a hipertensão arterial e as doenças coronarianas.

Muitas doenças estão relacionadas com a agregação dos glóbulos vermelhos no sangue, como hipertensão arterial, doenças isquêmicas do coração, isquemia cerebral, pré-eclâmpsia, síndrome metabólica, diabetes, HIV e outras infecções.

Além do sangue, outros tecidos também se comportam de maneira semelhante em relação ao Potencial Zeta. Por exemplo, peles artificiais mais aderem em feridas quanto mais positivo for o Potencial Zeta. A mesma coisa acontece na mucosa da bexiga.

Portanto o Potencial Zeta é responsável pela força de coesão (de ficar mais próximo) de vários tecidos, não só do sangue.

UM NOVO CONCEITO DA FORMAÇÃO DOS TECIDOS E DA CICATRIZAÇÃO

Depois de analisar todos os estudos, uma nova fisiologia energética começa a se formar. Os tecidos começam ser vistos como colóides, uns mais agregados (como o osso) e outros menos (como o sangue). Os vasos sanguíneos, por exemplo, teriam um potencial zeta mais fraco na parede e mais forte dentro do sangue. E depois de qualquer lesão desses tecidos, as cargas elétricas e as mudanças do potencial zeta seriam responsáveis pela sinalização da cicatrização e o reparo do tecido. As doenças crônicas surgiriam quando esse sistema não funcionasse de maneira adequada.

O curioso é que todos os fenômenos químicos podem ser interpretados em termos das alterações de carga elétrica e do potencial zeta. Isso abre uma nova era para a compreensão de como o nosso corpo funciona, como adoece e como se cura. E também como funcionam tratamentos não químicos, como os estímulos elétricos, laser ou acupuntura.

Concluindo, a visão energética do funcionamento dos organismos vivos é uma realidade. Campos vitais interagem através dos circuitos elétricos biológicos, as cargas elétricas alterando a distância entre as partículas do colóide, formando um organismo vivo  bioelétrico. E o conhecimento desses fenômenos pode trazer uma nova era para a medicina, onde os tratamentos vão facilitar o nosso sistema natural de reparação dos tecidos.

Para saber mais: Farber PL, Hochman B, Furtado F, Ferreira LM. Electricity and colloidal stability: How charge distribution in the tissue can affects wound healing. Med Hypotheses. 2013 Dec 9. pii: S0306-9877(13)00567-7. doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.mehy.2013.11.038

Um pensamento sobre “Energia e Cicatrização – Como o nosso corpo funciona do ponto de vista energético.

  1. Este Potencial Zeta funciona tambem nos relacionamentos. Mais Potencial Zeta, mais amigos, mais facilidade de se relacionar, mais participativo, mais proximo dos outros seres humanos e acredito mais felizes.

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