A Medicina Tradicional Chinesa – Essa Incompreendida.

Doutor, para que serve esse ponto de acupuntura? Essa é uma pergunta muito comum, e por incrível que pareça  é muito difícil de responder. Como explicar para alguém que “esse ponto serve para tirar calor do Fígado” ou “esse é um ponto principal para tirar o Vento-Frio”. Para quem não é iniciado na medicina tradicional chinesa, essa abordagem não faz nenhum sentido. Parece uma conversa entre loucos.

A questão é que a medicina tradicional chinesa não trabalha com conceitos iguais à medicina ocidental convencional. Na nossa medicina convencional, trabalhamos com o conceito de doença. Funciona mais ou menos assim: Os sintomas são causados por uma disfunção em algum órgão ou tecido, que refletem alterações anatômicas e/ou bioquímicas. Uma úlcera de estômago,  por exemplo, aparece como um processo inflamatório que forma uma ferida, que se colocada ao microscópio, tem uma organização peculiar, que permite ao patologista diferenciar entre uma úlcera péptica, ou uma úlcera atrófica, ou até mesmo um câncer de estômago. Estamos acostumados a lidar com entidades bem delimitadas, que aparecem descritas no Código Internacional de Doenças.

A medicina tradicional chinesa não trabalha da mesma forma. Obviamente o doente é o mesmo, e apresenta a mesma dor de estômago. Mas a medicina tradicional chinesa vai analisar o paciente como um ser indivisível e não como um estômago doente. O conjunto de sinais  e sintomas que vai incluir se o paciente sente muita sede, se dorme bem, as questões psicológicas ligadas ao caso, a análise das unhas, pelos, cabelos,  lábios,  e características da língua e do pulso,  entre outras análises, e o médico vai categorizar o paciente em um padrão de desarmonia. Portanto na medicina chinesa não há uma doença mesmo em um paciente com uma úlcera de estômago, e sim uma alteração no equilíbrio da saúde.

O maior problema é que os padrões de desequilíbrio são descritos por meio de metáforas, o que acaba tornando a linguagem ainda mais incompreensível. Dois pacientes com a mesma úlcera de estômago podem ser categorizados em padrões de desarmonia diferentes, por exemplo um pode ter uma “Deficiência de Qi do Pi (Baço) e Deficiência Yin do Wei (Estômago)” enquanto que outro pode ter um “Excesso de Fogo no Gan (Fígado) e no Wei (Estômago). Tradução: Um paciente tem fraqueza, cansaço, hemorróidas, digestão ruim, edema, e a dor de estômago piora com a alimentação, enquanto que o outro tem dor de cabeça, pressão alta, insônia, irritabilidade,  e uma dor de estômago que melhora com a alimentação e líquidos frios.

Portanto os padrões de desarmonia são metáforas que ajudam o médico a entender o conjunto de alterações do paciente. E os medicamentos tradicionais ou a acupuntura não serão escolhidos para tratar o órgão simplesmente, e a conduta nos dois casos descritos acima vai ser bem diferente.  No primeiro caso serão prescritas ervas e/ou pontos de acupuntura para aumentar o Qi do Pi (Baço) e o Yin do Wei (Estômago), enquanto que no segundo caso o tratamento vai diminuir o Yang do Gan (Fígado) e Wei (Estômago). Paciente com a mesma patologia tratada de forma completamente diferente.

Assim, um simples resfriado pode ser categorizado como “Vento-Frio” ou “Vento-Calor” e uma cólica menstrual pode ser resultado de mais de seis tipos de desarmonias diferentes.

Voltando a pergunta inicial: Para que serve esse ponto de acupuntura? Para que serve o medicamento tradicional chinês?

A resposta: Serve para melhorar a saúde do paciente corrigindo os padrões de desequilíbrio. Há pontos/ervas para diminuir o Yin do Wei (Estômago) ou sedar o Yang do Wei (Estômago) do estômago, mas não há um ponto ou erva para tratar a úlcera péptica.

Daí perguntas como “que doenças trata a medicina tradicional chinesa?” ficam completamente sem sentido. A medicina tradicional chinesa não trata nenhuma doença. Ela melhora a saúde dos pacientes.

5 pensamentos sobre “A Medicina Tradicional Chinesa – Essa Incompreendida.

  1. Olá Dr. Paulo, nada é por acaso, ontem conheci uma senhora no mercado e a mesma falou de uma medico incrivel que ela ficou sabendo para emagrecer e realmente percebi que estou muito mal rsrsrs….. liguei no seu consultorio para informações e verifiquei que ainda não consigo ir na consulta devido minha situação financeira que não esta indo bem também e então achei seu blog e este site http://www.pholianegra.com.br/noticia01.asp onde consta PHOLIA NEGRA, então inciei uma busca e achei informação sobre este attivos magisttrais. Gostaria muito de conhece-lo e saber se posso tomar esta erva para iniciar meu tratamento?? tem a Pholia negra e a Pholia Magra.
    Desculpe com tantas perguntas mas estou muito triste por não conseguir emagrecer.
    Obrigada tenha um ótimo dia!!!
    Sheila.

    • Prezada Sheila,

      Eu não acredito em nenhum tratamento para diminuir o peso que não leve em consideração a causa da obesidade. E há muitas causas, como a resistência à insulina ou alterações da tireóide, ou mesmo deficiência de vitaminas como a vitamina D. Sem uma avaliação cuidadosa e a correção das alterações metabólicas, a possibilidade do “efeito sanfona”, ou seja, engordar de novo, é muito grande. A decisão de ser magro é uma decisão definitiva, e para o resto da vida. Isso implica inclusive, deixar para sempre as coisas que você adora. Medicamentos que diminuem a fome, como esses que você citou, ajudam no começo, mas não emagrecem. O que emagrece ou é diminuir a comida, o que desnutre e gera mais problemas, ou corrigir os problemas da saúde (que eu acho muito melhor).

  2. Olá gostaria de uma resposta e depoimento de pessoas que passam por isso, bem pra começa completei 18 anos agora em julho, faz um ano que eu to casada, quando casei pesava 70 quilos, com 1,70 de altura, e levava a vida numa boa, meu humor era radiante, Isso foi com 16 anos, com o decorrer do tempo eu comecei a engordar sem saber porque, entrei em depressão pq não me aceitava gorda, e me sentia muito triste ao mesmo tempo tentava engravida e não conseguia, menstruação nem existia na minha vida quase, foi então que resolvi procura um medico, primeiro eu descobri que estava com hipotireoidismo, depois que estava com depressão, dai em diante comecei tratamento, com vários antidepressivos, e comecei a tratar com PURAN t4, depois fiz um utra-som e vi que estava com cistos no ovário, fikei 9 meses sem menstruar, tive que tomar remédio o mês passado pra minha menstruação descer, desceu la pelo dia 08/07/12, fikei de um ano pro outro sem menstruar, hoje ja é dia 13/08 e ainda não desceu. Indo ao endócrino, descobri tbm que possuo resistência insulina, e passei a tomar METFORMINA 850 MLG, mas até agora eu não consegui perder peso só notei que quando a minha dose foi aumentada de 50 pra 75 mlg eu não engordei em 2 meses eu tava com 93 agr to com 91, isso é um bom sinal, a e tbm to tomando ZETRON 150 MLG comecei hoje, (13/08) mais isso tudo me atrapalha muito , não só fisicamente com psicologicamente e mentalmente,
    gostaria de saber se eu tomar os remedios certinho, eu consigo perder peso?
    e gotaria tbm de dicas de saude para perder peso que me ajudem no caso, beijos e até mais

    • Prezada Thais, os remédios só estão tentando corrigir os problemas que aparentemente estão sendo causados por seu estilo de vida. A resistência à insulina muitas vezes está relacionado ao consumo excessivo de carboidratos, e somente a metformina pode não resolver o problema. A falta de vitamina D também piora o processo. Tanto a alteração hormonal como a resistência à insulina são processos que ocorrem na gordura, portanto o melhor é, em conjunto com a medicação, mudar a dieta e o estilo de vida.

  3. Revisão de estudos aponta excesso de uso de remédio para hipertensão leve
    Drogas não reduziram ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais em pessoas com pressão arterial de menos de 16 por 10, segundo ONG que revisou dados de 9 mil pacientes; de 20% a 30% das pessoas seriam diagnosticadas erroneamente
    Uma revisão de estudos realizada por um painel de especialistas independentes da ONG Cochrane Collaboration aponta que pacientes diagnosticados com hipertensão arterial leve estão sendo medicados em excesso e essas drogas não reduziram ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais (AVC).

    Filipe Araújo/AE
    A hipertensão é um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas e cerebrovasculares
    A hipertensão é um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas e cerebrovasculares. Juntas, elas são a maior causa de morte no País e no mudo. Estima-se que 35% dos brasileiros adultos sejam hipertensos (a maioria na forma leve) e apenas 20% deles estejam com a doença controlada.
    Segundo dados do Ministério da Saúde, 324.092 pessoas morreram em 2010 em decorrência de doenças do aparelho circulatório no Brasil: 79.297, por exemplo, morreram de enfarte e 99.159 de doenças cerebrovasculares, incluindo o AVC.
    Os revisores da Cochrane analisaram dados de testes clínicos envolvendo 9 mil pacientes em tratamento de hipertensão leve. A hipertensão leve diz respeito a casos em que a medida da pressão sistólica é de no máximo 159 mmHg e a pressão diastólica, de 99 mmHg. Isso equivale a dizer que o doente com pressão arterial menor que 16 por 10 é considerado um hipertenso leve.
    A pesquisa analisou os resultados do tratamento com remédio e os comparou com os de placebo ou nenhum tratamento. A constatação é de que não houve nenhum benefício evidente no grupo de pacientes que tomou remédios. Para os revisores, os resultados demonstram que qualquer benefício, se existir, provavelmente será pequeno.
    Excesso. Uma das hipóteses para explicar o excesso de uso de medicação é a chamada “síndrome da pré-doença” ou “pré-hipertensão”. Trata-se de um diagnóstico dado ao paciente que tem fatores de risco e apresenta alguma alteração em determinado exame, mas não necessariamente está doente. Assim, pessoas com hipertensão leve são tratadas da mesma forma que pacientes com casos graves.
    “Por muito tempo só era medicado o doente que sofria um evento cardíaco. Mas hoje há inúmeras opções de medicamentos considerados preventivos que, em geral, são prescritos como primeira opção ao paciente que poderia reduzir a hipertensão largando o cigarro, perdendo o peso, reduzindo o sal da alimentação ”, avalia Marcelo Ferraz Sampaio, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
    Outro fator que pode explicar o excesso de diagnóstico é a chamada “síndrome do jaleco branco”, caracterizada pelo aumento da pressão arterial quando o paciente está na frente do médico.
    Segundo o cardiologista Weimar Sebba Barroso, presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), de 20% a 30% dos pacientes diagnosticados com hipertensão leve não estão doentes – a alteração aconteceu no consultório, ao acaso.
    “A maior dificuldade é fazer um diagnóstico correto da hipertensão leve, já que a medida está sujeita a variações de fatores externos, como a ansiedade. Não dá para medicar o paciente com base num único exame clínico”, diz Barroso. Para ele, num mundo ideal, o correto seria fazer um monitoramento da pressão do paciente por 24 horas, por meio de um aparelho portátil que mede os valores cerca de cem vezes.
    “Mas a gente sabe que isso é inviável em saúde pública, por isso os médicos precisam pedir outros exames (como teste de esteira) e medir a pressão do paciente em várias oportunidades antes de dar o diagnóstico”, diz.
    “Estima-se que 80% dos pacientes que morrem por conta do AVC e 50% dos que morrem de enfarte são hipertensos. Temos de ter o cuidado de não passar a informação equivocada de que a hipertensão leve não precisa ser tratada”, alerta Barroso.
    Fonte: http://www.estadao.com.br

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