A Vacina contra a Gripe H1N1 (Gripe Suína)

Atenção: Esse artigo é uma análise crítica, e não uma recomendação para não tomar a vacina.

Um dos grandes avanços da medicina foi a descoberta das vacinas. A inoculação de micróbios (em geral vírus ou bactérias) mortos, atenuados ou geneticamente modificados geram uma reação imunológica, aumentando a reação do indivíduo quando este entra em contato com o mesmo micróbio da vacina, impedindo-o de ter a doença. Doenças como difteria, tétano e poliomielite estão cada vez mais raras e outras doenças como a varíola foram completamente erradicadas.

No ano passado, a epidemia de gripe H1N1 matou mais de 10.000 pessoas, e a partir do final de 2009, três laboratórios farmacêuticos estão vendendo vacinas mono ou polivalentes que incluem o vírus H1N1.  Por outro lado circulam emails falsos (hoax) na internet com teorias de conspiração e outros absurdos.

O melhor seria poder afirmar que as vacinas são completamente seguras, o que não é possível, mas também não se pode afirmar que são perigosas. Em 2007, por exemplo, foram investigadas mortes e doenças graves que ocorreram logo após a vacinação contra gripe comum (que em base é a mesma vacina contra o H1N1 mudando-se o vírus), sem que tenha sido provado que a causa foi a vacina. A única conclusão foi que não houve diferenças entre os lotes da vacina (Rue-Cover A, Iskander J, Lyn S, Burwen DR, Gargiullo P, Shadomy S, Blostein J, Bridges CB, Haber P, Satzger RD, Ball R, Seward JF. Death and serious illness following influenza vaccination: a multidisciplinary investigation. Pharmacoepidemiol Drug Saf. 2009 Jun;18(6):504-11). A investigação destes eventos é muito difícil, sendo que não são feitos comparações com pessoas que não tomaram a vacina, e principalmente que estes eventos ocorrem em grandes campanhas de vacinação. Será que essas pessoas morreram ou ficaram seriamente doentes devido a um lote (parece que não) ou simplesmente por terem entrado em contato com compostos da vacina?

A maioria das vacinas não contém somente micróbios, também contém conservantes e adjuvantes. O objetivo do conservante, em geral o Timerosal (um derivado do mercúrio) é ajudar a manter a vacina livre de outros microorganismos. Os adjuvantes ajudam a aumentar a antigenicidade (ou seja, a reação do sistema imune do indivíduo) da vacina. É aí que os problemas começam. Vou citar alguns componentes comuns da vacina H1N1.

Um dos adjuvantes é o Esqualeno, um óleo retirado do fígado do tubarão. Alguns trabalhos científicos demonstraram que este adjuvante provoca doenças como o Lúpus em animais de experimentação. (Kuroda Y, Ono N, Akaogi J, Nacionales DC, Yamasaki Y, Barker TT, Reeves WH ,Satoh M. Induction of lupus-related specific autoantibodies by non-specific inflammation caused by an intraperitoneal injection of n-hexadecane in BALB/c mice. Toxicology. 2006 Feb 1;218(2-3):186-96)(Y, Nacionales DC, Akaogi J, Reeves WH, Satoh M. Autoimmunity induced by adjuvant hydrocarbon oil components of vaccine. Biomed Pharmacother. 2004 Jun;58(5):325-37)(Satoh M, Kuroda Y, Yoshida H, Behney KM, Mizutani A, Akaogi J, Nacionales DC, Lorenson TD, Rosenbauer RJ, Reeves WH. Induction of lupus autoantibodies by adjuvants. J Autoimmun. 2003 Aug;21(1):1-9). O Esqualeno da vacina contra o Antraz foi relacionado com a síndrome do golfo, um conjunto de sintomas dos soldados americanos que participaram da primeira guerra do golfo (1990). Houve uma hipótese de doenças autoimunes causadas pelo Esqualeno fossem derivadas de anticorpos contra o adjuvante, mas isso não ficou comprovado (Phillips CJ, Matyas GR, Hansen CJ, Alving CR, Smith TC, Ryan MA. Antibodies to squalene in US Navy Persian Gulf War veterans with chronic multisymptom illness. Vaccine. 2009 Jun 12;27(29):3921-6).

O outro adjuvante mais usado, e este para mim é o mais preocupante, é o alumínio. Apesar da dose ser pequena, o alumínio é um elemento químico trivalente positivo, e por isso tem uma imensa capacidade de provocar coagulação (Yang ZL, Gao BY, Yue QY, Wang Y. Effect of pH on the coagulation performance of Al-based coagulants and residual aluminum speciation during the treatment of humic acid-kaolin synthetic water. J Hazard Mater. 2010 Jun 15;178(1-3):596-603), chegando a provocar, em doses maiores, uma coagulação intravascular maciça (Khurana V, Gambhir IS, Kishore D. Microangiopathic hemolytic anemia following disseminated intravascular coagulation in aluminum phosphide poisoning. Indian J Med Sci. 2009 Jun;63(6):257-9). O alumínio das vacinas, quando aplicado em camundongos, provoca morte de neurônios motores (o que é muito grave, pois são as células do sistema nervoso que controlam os movimentos musculares. A morte de células nervosas motoras está relacionado com doenças como a esclerose lateral amiotrófica) e também foi relacionado com a síndrome do golfo (Petrik MS, Wong MC, Tabata RC, Garry RF, Shaw CA. Aluminum adjuvant linked to Gulf War illness induces motor neuron death in mice. Neuromolecular Med. 2007;9(1):83-100). Mais uma vez não há nada comprovando esse tipo de efeito em humanos (mas também não há certeza que não há esse tipo de dano, já que nos camundongos basta sacrificá-los após os experimentos e verificar quantas células nervosas morreram, procedimento inadmissível no ser humano). Não conheço nenhum estudo que avalie, por exemplo, agregação eritrocitária após a dose de alumínio da vacina, portanto a segurança das vacinas contendo alumínio, na minha opinião, só poderão ser atestadas após comprovar que não provocam problemas como aumento da agregação de hemácias.

Mas as vacinas não precisam conter obrigatoriamente esses adjuvantes. Vacinas contra H1N1 sem nenhum adjuvante foram utilizadas amplamente na China e foram comprovadamente eficazes. (Lu W, Tambyah PA. Safety and immunogenicity of influenza A H1N1 vaccines.Expert Rev Vaccines. 2010 Apr;9(4):365-9). Dessa forma talvez fosse melhor se as vacinas fossem fabricadas sem nenhum adjuvante.

Mas a crítica maior é que as vacinas protegem contra um micróbio específico (ou vários no caso de vacinas polivalentes), mas não melhoram a saúde das pessoas. Quem estiver com a saúde ruim, não vai adoecer daquela cepa de H1N1 da vacina, mas vai possivelmente adoecer de outra maneira, ou de uma mutação desse mesmo vírus. Quem gozar de boa saúde e ficar gripado não vai adoecer gravemente e vai se curar rapidamente, sem outras seqüelas.

Além disso, é possível que estejamos fazendo uma espécie de “seleção natural”, porque se as pessoas vão continuar adoecendo, vão sofrer de doenças virais para as quais não há vacina. Um exemplo clássico é a vacina contra hepatite B, que diminuiu muito a incidência desse vírus. Mas por outro lado, como as pessoas continuaram a se contaminar com a hepatite, agora a hepatite mais comum é a hepatite C, que tem uma taxa maior de complicações, como a cirrose hepática e o câncer de fígado (Baldy LM; Urbas C; Harris JL; Jones TS; Reichert PE. Establishing a viral hepatitis prevention and control program: Florida’s experience. Public Health Rep 2007; 122 Suppl 2: 24-30). E recentemente houve uma epidemia  de hepatite E em Uganda, com altas taxas de mortalidade (Teshale EH; Howard CM; Grytdal SP; Handzel TR; Barry V; Kamili S; Drobeniuc J; Okware S; Downing R; Tappero JW; Bakamutumaho B; Teo CG; Ward JW; Holmberg SD; Hu DJ, Hepatitis E epidemic, Uganda. Emerg Infect Dis 2010; 16(1): 126-9).

E para finalizar, porque tantas pessoas morrem de gripe? A maioria das mortes não é de gripe, mas de pneumonia causada por bactérias. A grande maioria dos casos graves de “gripe” que atendi em meu consultório em 2009 foi de pacientes com pneumonia que já tinham sido atendidos em outros serviços e foram mandados para casa sem tratamento por antibiótico. Muitas vezes os pacientes não foram examinados adequadamente, e o diagnóstico de “somente gripe” foi feito através de exames complementares (raios-X e hemograma) Muitas vezes a pneumonia ou a broncopneumonia demoram alguns dias para se revelarem em uma radiografia, e esses dias de espera podem levar a uma piora do quadro.  Houve casos onde a clínica era altamente sugestiva de pneumonia, mas com os exames normais. O melhor nesses casos é o tratamento com antibióticos o quanto antes, e os exames tem que ser tratados como complementares, e não como fundamentos do diagnóstico.

Portanto continuo achando que o mais importante no caso da gripe H1N1 ou em qualquer outra infecção é manter a saúde em ordem. A vacina é uma das armas, mas ainda restam algumas dúvidas em relação aos adjuvantes. Uma vacina sem adjuvantes seria preferível. Mas cuidar da saúde é fundamental. Uma dieta saudável, exercícios moderados, evitar produtos tóxicos como álcool e tabaco, evitar açucares e produtos industrializados, tomar sol moderadamente e procurar uma vida feliz ainda são os melhores protetores da saúde.

Dr. Paulo Luiz Farber