Telefone celular faz mal?

Hoje em dia o telefone celular é um artigo de primeira necessidade para muitos. Eu mesmo tenho um telefone celular, mas procuro utilizar o mínimo possível. Muitos pacientes questionam se o celular faz mal ou não.
No início do ano, pesquisadores indianos publicaram um trabalho de revisão (onde estudam vários artigos publicados por outros cientistas) onde discutem os possíveis efeitos da radiação do telefone celular na saúde (Kohli DR, Sachdev A, Vats HS. Cell phones and tumor: Still in no man’s land. Indian J Cancer 2009;46:5-12). Os autores encontraram nas publicações que:
– Poucos estudos avaliam o uso do telefone celular por mais de 10 anos (a exceção são os estudos suecos).
– Muitos estudos entrevistam a pessoa e perguntam “quanto usava de telefone celular?”, que fica difícil de verificar se é verdade ou não. As pessoas costumam dobrar ou até quase triplicar o tempo estimado que falaram ao telefone.
– A radiação eletromagnética varia de marca e tipo de telefone celular. Os telefones mudaram no decorrer dos anos, passando de analógico a digital, e há vários tipos de antena e dispositivos para deixar as mãos livres, como fones de ouvido com fio e bluetooth.
– Fica impossível de eliminar a radiação eletromagnética de outros aparelhos, como, por exemplo, roteadores sem fio.
Mesmo com esses vieses de pesquisa, há vários dados conflitantes, com estudos apontando relação entre o uso de telefone celular e câncer cerebral, e outros mostrando não haver relação entre o uso do telefone celular e o câncer. A maioria dos estudos não mostrou uma correlação entre tumores cerebrais e o uso de telefone celular, mas mais uma vez a metodologia apresenta várias falhas importantes.
Mas independente se o telefone celular provoca ou não câncer, há uma questão fundamental, que abordei após uma palestra no congresso da IABC (www.iabc.readywebsites.com), em novembro de 2008. O palestrante era um cientista que já realizou pesquisas muito importantes no passado a respeito do tratamento elétrico do câncer, e agora estava empenhado em tentar provar que o telefone celular não faz mal. O detalhe é que ele agora é funcionário da Motorola, fabricante de telefones celulares, o que mostra um conflito de interesses.
O meu questionamento foi muito simples. Se eu inventar um aparelho médico que utilize exatamente o mesmo tipo de radiofrequência do telefone celular, com todas as características técnicas idênticas ao celular, mas com objetivo de tratamento médico, antes de tudo eu tenho de comprovar a segurança desse aparelho.
Agora, no caso do telefone celular, não. Primeiro, vendem milhões de aparelhos, sem nenhum estudo sobre segurança, para depois que esses aparelhos estão em circulação verificar se são seguros. Todos nós somos cobaias no pós-venda.
Hoje temos inúmeros aparelhos que utilizam radiofrequência, são telefones celulares, telefones sem fio, roteadores sem fio, internet 3G, acessórios bluetooth, entre outros. Quem vive nas cidades, grandes ou pequenas, está sujeito a essa “poluição”. E só saberemos a real consequência sobre a saúde daqui a alguns anos.

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