Pressão Arterial de 12×8 é melhor que 14×9?

PRESSÃOComo médico, sou partidário do “quanto menos remédio, melhor”. Sabemos que muitas vezes os remédios podem salvar vidas, mas por outro lado há os efeitos colaterais, onde temos que colocar na balança se o benefício do medicamento é maior do que seus efeitos adversos.

O paciente com hipertensão arterial (ou “pressão alta”) freqüentemente recebe uma prescrição de múltiplos medicamentos, com o objetivo de baixar a pressão para níveis menores que 12×8 (ou 120×80 mmHg).

Recentemente um artigo da famosa biblioteca Cochrane estudou sete artigos com metodologia científica impecável, totalizando um total de mais de 22.000 pacientes, para verificar se vale realmente à pena baixar bastante a pressão arterial. Esse tipo de pesquisa, chamada de revisão sistemática, é considerado o maior grau de evidência científica para um médico tomar uma conduta.

O resultado foi bem interessante: Não vale a pena baixar a pressão para menos de 14×9 (140×90 mmHg). Pressões menores que isso não diminuíram incidência de infartos do miocárdio (ataques do coração), acidentes vasculares cerebrais (derrames), insuficiência cardíaca ou insuficiência renal. Os autores ainda não sabem se esses resultados podem ser aplicados também para os diabéticos e portadores de doença renal (dos rins).

Portanto, quem toma remédios para manter a pressão arterial menor que 14×9 está tomando remédios em demasia, e sofrendo efeitos colaterais sem necessidade.

Fonte: Arguedas JA, Perez MI, Wright JM. Treatment blood pressure targets for hypertension. Cochrane Database of Systematic Reviews 2009, Issue 3. Art. No.: CD004349. DOI: 10.1002/14651858.CD004349.pub2.

Uma erva que melhora a imunidade e funciona contra vírus e bactérias

Nesta época de tratamentos agressivos, vale a pena conhecer uma erva que pode ser muito útil para os médicos. Antes de começar, é importante salientar que qualquer prescrição deve ser acompanhada sempre por um médico. A prescrição de doses incorretas pode levar a efeitos colaterais importantes (ou até intoxicação). Portanto, se o leitor deste blog não for médico, procure um para se orientar sobre a necessidade ou não do medicamento.

A raiz da Equinácea é um desses medicamentos. O nome científico é Echinacea angulifolia (com variações), e há centenas de trabalhos científicos comprovando efeitos de melhoria do sistema imunológico, sendo que trabalhos clínicos comprovam a ação dessa erva, incluindo tratamento de suporte para resfriado, doenças respiratórias e do trato urinário. O efeito dessa erva normalmente é relacionado com a melhora do sistema imunológico (1).

Recentemente alguns trabalhos científicos lançaram mais algumas luzes sobre os efeitos dessa erva.

Pesquisadores canadenses demonstraram que a Equinácea age contra o rinovirus (vírus do resfriado), diminuindo os efeitos inflamatórios gerados pelo vírus, causados, por sua vez, pelo aumento de substâncias conhecidas como interleucinas (2).

Esses mesmos pesquisadores mostraram que a Equinácea melhora a inflamação causada por vários tipos de vírus em células humanas, inclusive do sistema respiratório: Rinovirus 1A e 14, vírus da influenza, vírus respiratorio sincicial , adenovirus tipo 3 e 11, e vírus  herpes simples tipo 1. Vale observar que esses foram a totalidade dos vírus testados, portanto a Equinácea funcionou em todos os tipos de vírus testados (3).

O que essas pesquisas mostram nos remete a dois insights:

a) Há uma maneira diferente de tratar doenças, inclusive as infecciosas: Melhorando os pacientes.
b) A inflamação é nossa reação natural contra os agentes microbianos. Provavelmente a erva não diminuiu a inflamação, mas fortaleceu as células contra o ataque dos vírus.

Finalizando, a Equinácea é uma erva que nos ajuda a combater as doenças, melhorando a saúde dos doentes.

1.    World Health Organization. WHO monographs on selected medicinal plants, Vol 1.  World Health Organization, Geneva, 1999.
2.    Sharma M, Schoop R, Hudson JB. Echinacea as an antiinflammatory agent: the influence of physiologically relevant parameters. Phytother Res. 2009 Jun;23(6):863-7.
3.    Sharma M, Anderson SA, Schoop R, Hudson JB. Induction of multiple pro-inflammatory cytokines by respiratory viruses and reversal by standardized Echinacea, a potent antiviral herbal extract. Antiviral Res. 2009 Aug;83(2):165-70

A Vitamina D e a Saúde

A deficiência de vitamina D é uma das maiores preocupações médicas na atualidade, com centenas de trabalhos científicos relacionando a falta de vitamina D (mais especificamente a 25-Hidroxi-vitamina D) com várias doenças, como osteoporose, câncer, doenças reumáticas e doenças cardiovasculares. Como a maior fonte de vitamina D é o sol, e a maioria das pessoas evita o sol com medo do envelhecimento precoce e do câncer de pele, enfrentamos o outro lado da moeda: a doença da “falta de sol”.  Vamos verificar as últimas pesquisas a respeito.

Baixa vitamina D no início da gravidez diminui a formação óssea do fêmur fetal, desde as 19 semanas de gestação. Mahon P, Harvey N, Crozier S, Inskip H, Robinson S, Arden N, Swaminathan R,Cooper C; The SWS Study Group, Godfrey K. Low Maternal Vitamin D Status and Fetal Bone Development: Cohort Study. J Bone Miner Res. 2009 Jul 6.

Suplementação de vitamina D não melhora de forma significativa a pressão arterial (metanálise). Witham MD, Nadir MA, Struthers AD. Effect of vitamin D on blood pressure’ a systematic review and meta-analysis. J Hypertens. 2009 Jul 7.

Revisão sobre os efeitos da baixa vitamina D nas doenças do coração: Judd SE, Tangpricha V. Vitamin D deficiency and risk for cardiovascular disease. Am J Med Sci. 2009 Jul;338(1):40-4.

Outra revisão sobre os efeitos da baixa vitamina D nas doenças do coração: Gouni-Berthold I, Krone W, Berthold HK. Vitamin d and cardiovascular disease. Curr Vasc Pharmacol. 2009 Jul;7(3):414-22.

Uso da vitamina D para prevenção e tratamento do câncer de pâncreas: Chiang KC, Chen TC. Vitamin D for the prevention and treatment of pancreatic cancer. World J Gastroenterol. 2009 Jul 21;15(27):3349-54.

A suplementação de vitamina D pode melhorar os sintomas da depressão: Shipowick CD, Moore CB, Corbett C, Bindler R. Vitamin D and depressive symptoms in women during the winter: a pilot study. Appl Nurs Res. 2009 Aug;22(3):221-5.

Relação entre a diminuição da vitamina D e a cefaléia (dor de cabeça) tensional: Prakash S, Shah ND. Chronic Tension-Type Headache With Vitamin D Deficiency: Casual or Causal Association? Headache. 2009 Jul 8.

Esses foram alguns artigos publicados em Julho de 2009. Podemos concluir que o médico, atualmente, não pode negligenciar a evidência de que a falta de vitamina D está associada às doenças. Apesar desse alarmante, não são muitos os médicos que prestam atenção ao assunto. Também, em um país tropical, o “remédio” principal pode ser “grátis”: é só tomar sol. E talvez várias doenças possam ser evitadas com um pouco de sol desde a infância.