Energia e Cicatrização – Como o nosso corpo funciona do ponto de vista energético.

Quando se fala em energia e funcionamento do nosso organismo, pouca gente sabe que esse assunto ja é bastante estudado, e há um suporte científico bastante forte. O estudo e a compreensão de como as cargas elétricas interagem no nosso corpo podem mudar radicalmente a maneira de ver  a fisiologia (como o corpo funciona),  o adoecimento e o tratamento das doenças. Tudo que vou falar aqui é um resumo do que foi publicado recentemente pela revista científica Medical Hypotheses, em um artigo onde sou o principal autor, desenvolvido no programa de pós-graduação em Cirurgia Translacional da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. É a primeira vez que o mecanismo energético do funcionamento dos seres vivos é descrito detalhadamente, com uma nova racionalidade, onde podemos entender que os outros estudos – bioquímica, biologia molecular – receptores e até a genética e embriologia – são consequências das interações energéticas. O artigo pode ser acessado no link http://dx.doi.org/10.1016/j.mehy.2013.11.038 .

OS CAMPOS VITAIS

Em primeiro lugar, é fundamental citar os trabalhos do Dr. Burr, desenvolvidos principalmente na primeira metade do século XX. Dr. Burr, que foi professor de anatomia da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, percebeu que é muito difícil de medir a diferença de potencial elétrico (“voltagem”) no corpo humano com voltímetros comuns, daí ele desenvolveu um voltímetro valvulado especial, de modo a medir as diferenças elétricas sem a necessidade de injetar nenhuma eletricidade no corpo medido. E com esse voltímetro especial, ele verificou muita coisa interessante.

Por exemplo, ele descobriu que antes de formar o embrião de um sapo, aparecia uma diferença elétrica. E que essa diferença se formava exatamente no eixo onde iria crescer o futuro girino, da cabeça à cauda. No embrião da salamandra, a diferença elétrica entre a cauda e a cabeça mudava conforme o estágio de desenvolvimento.

Através desse mesmo método, medindo diferenças elétricas, o grupo liderado por Burr demonstrou que animais e humanos saudáveis mostravam comportamento elétrico diferente dos doentes. Ele demonstrou, por exemplo, que tanto os animais como humanos com câncer apresentam padrões diferentes de distribuição elétrica.

Os estudos de Burr concluíram que os seres vivos apresentam padrões de energia eletrostática flutuante, que eles denominaram “L-Fields”, onde L vem de life (vida em inglês, que podem ser traduzidos livremente como “campos vitais”.

OS CIRCUITOS ELÉTRICOS BIOLOGICAMENTE FECHADOS

Na segunda metade do século XX outro pesquisador, o médico radiologista sueco Björn Nordenström, do Instituto Karolinska e que foi presidente do prêmio Nobel de medicina e fisiologia, notou algo diferente em radiografias de tumores malignos do pulmão. Ele viu que em volta do tumor havia uma coroa mais escura (onde os raios-X passavam com mais facilidade), entrelaçadas por faixas mais claras (de tecido mais denso, onde os raios-X passavam com dificuldade). Desconfiado que havia alguma interação elétrica, Nordenström conseguiu medir as diferenças elétricas durante as biópsias, colocando eletrodos nos tumores e na periferia. Depois de vários experimentos em humanos e animais, ele confirmou que havia um sistema de circulação de energia nos organismos vivos semelhantes a circuitos elétricos, só que ao invés de fios, nós temos vasos sanguíneos, onde a parede dos vasos funciona como isolante e o plasma (o líquido do sangue) funciona como condutor elétrico. Ele chamou esse sistema de circuitos elétricos biologicamente fechados.

A BATERIA CUTÂNEA

Vários cientistas entre eles o já falado Burr e também Barker estudaram o fenômeno da cicatrização do ponto de visto elétrico, e descobriram que imediatamente após a lesão da pele já se forma uma diferença de potencial elétrico, que muda durante o processo de cura da lesão. Essa corrente elétrica é tão importante, que foi chamada de bateria cutânea. Outros experimentos mostraram que aumentando a corrente elétrica, a cicatrização fica mais rápida e por outro lado, se invertermos a polaridade, a cicatrização diminui ou até estaciona.

A EXCLUSÃO INTERSTICIAL

Cientistas examinaram a relação entre a albumina (responsável pela hidratação da pele), o colágeno (que tem carga positiva) e um grupo de açúcares chamados de glicosaminoglicanos (que tem carga negativa). E descobriram que a quantidade de cargas negativas no tecido é responsável pela hidratação da pele.

A ESTABILIDADE COLOIDAL E O POTENCIAL ZETA

Colóides são suspensões onde há partículas maiores que as moléculas do solvente. Essas partículas não “grudem” umas nas outras porque há um pequeno potencial elétrico circundando-as, conhecido como Potencial Zeta. Esse potencial é responsável pela repulsão entre as partículas do colóide. O pioneiro em aplicar a química coloidal ao organismo vivo, em particular ao sangue, foi Riddick. Ele demonstrou (e outros chegaram a mesma conclusão) que conforme o Potencial Zeta vai ficando mais fraco, as hemácias vão ficando mais próximas, mecanismo esse que explica a hipertensão arterial e as doenças coronarianas.

Muitas doenças estão relacionadas com a agregação dos glóbulos vermelhos no sangue, como hipertensão arterial, doenças isquêmicas do coração, isquemia cerebral, pré-eclâmpsia, síndrome metabólica, diabetes, HIV e outras infecções.

Além do sangue, outros tecidos também se comportam de maneira semelhante em relação ao Potencial Zeta. Por exemplo, peles artificiais mais aderem em feridas quanto mais positivo for o Potencial Zeta. A mesma coisa acontece na mucosa da bexiga.

Portanto o Potencial Zeta é responsável pela força de coesão (de ficar mais próximo) de vários tecidos, não só do sangue.

UM NOVO CONCEITO DA FORMAÇÃO DOS TECIDOS E DA CICATRIZAÇÃO

Depois de analisar todos os estudos, uma nova fisiologia energética começa a se formar. Os tecidos começam ser vistos como colóides, uns mais agregados (como o osso) e outros menos (como o sangue). Os vasos sanguíneos, por exemplo, teriam um potencial zeta mais fraco na parede e mais forte dentro do sangue. E depois de qualquer lesão desses tecidos, as cargas elétricas e as mudanças do potencial zeta seriam responsáveis pela sinalização da cicatrização e o reparo do tecido. As doenças crônicas surgiriam quando esse sistema não funcionasse de maneira adequada.

O curioso é que todos os fenômenos químicos podem ser interpretados em termos das alterações de carga elétrica e do potencial zeta. Isso abre uma nova era para a compreensão de como o nosso corpo funciona, como adoece e como se cura. E também como funcionam tratamentos não químicos, como os estímulos elétricos, laser ou acupuntura.

Concluindo, a visão energética do funcionamento dos organismos vivos é uma realidade. Campos vitais interagem através dos circuitos elétricos biológicos, as cargas elétricas alterando a distância entre as partículas do colóide, formando um organismo vivo  bioelétrico. E o conhecimento desses fenômenos pode trazer uma nova era para a medicina, onde os tratamentos vão facilitar o nosso sistema natural de reparação dos tecidos.

Para saber mais: Farber PL, Hochman B, Furtado F, Ferreira LM. Electricity and colloidal stability: How charge distribution in the tissue can affects wound healing. Med Hypotheses. 2013 Dec 9. pii: S0306-9877(13)00567-7. doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.mehy.2013.11.038

Coordenação Internacional:

Prof. José Travassos Valdez (Nisa – Portugal) Presidente, Associação Portuguesa de Termografia e Diagnósticos

Coordenação no Brasil:

Prof. Dr. Paulo Luiz Farber, PhD (São Paulo) – Instrutor oficial da Associação Portuguesa de Termografia e Diagnósticos Complementares – Professor do Programa de Pós-Graduação em Cirurgia Translacional da UNIFESP – Escola Paulista de Medicina – Graduação e Doutorado pela Faculdade de Medicina da USP – Vice-presidente para a América do Sul da International Association for Biologically Closed Electric Circuits – IABC

Programa do Curso:

http://www.thermography.pt/curso-termografia-prog

A Consulta Médica

 

           Doutor, estou com uma dor de estômago. Você pode me pedir uma ressonância da barriga?

            Para um médico experiente, a afirmação acima é absurda, quase surreal. Mas para uma boa parte da população, acostumada com consultas de dez minutos onde o médico ouve a queixa e pede exames, pode até parecer certo. Mas não é. Então, talvez, tenhamos que rever como é feito o diagnóstico e o tratamento médico.

 

            A primeira coisa que o médico escuta é a queixa do paciente que o trouxe ao consultório ou ao hospital. No caso citado é a dor, mas não no estômago, mesmo porque nem o médico nem o paciente fazem idéia ainda de qual é o órgão acometido, mas sim a região da pele onde a dor é referida. No caso, provavelmente é na pele por cima onde fica o estômago, que o médico chama de “epigástrio”.  Mas tem um aspecto muito importante que só a sensibilidade do médico pode avaliar: O sofrimento do paciente, o quanto que a qualidade de vida do paciente está comprometida e as dificuldades para realizar os eventos cotidiano. Ou seja, o médico está lá para ajudar aquele que está sofrendo.

 

Neste momento começa a passar pela cabeça do médico os diagnósticos mais comuns, como gastrite, esofagite, cólica biliar (da vesícula), infarto do miocárdio (ataque do coração – sim, pode apresentar somente uma dor no epigástrio) entre outros. Muitos não sabem que um problema da vesícula biliar pode até apresentar dor no ombro, e ser tratado como um problema articular ou muscular quando, na realidade, o problema é muito maior.

 

Depois o médico vai perguntar desde quando o sintoma apareceu, quando melhora ou quando piora, e outros sintomas associados como enjôo, dor de cabeça, cólica menstrual, hábitos intestinais, sangramentos, entre outros e os diagnósticos diferenciais vão abrindo na cabeça do médico. Os diagnósticos só podem ser feitos se o médico pensar neles.

 

Neste momento o médico já tem algumas hipóteses diagnósticas que vão aos poucos sendo descartadas ou reforçadas com a anamnese, a conversa que se tem com o médico.

 

A seguir, a conversa continua com as doenças e sintomas que o paciente tem ou já teve, os remédios que toma, as doenças familiares, e tudo isso ajuda a formar um panorama de quem é aquela pessoa que está na sua frente, do ponto de vista médico. Se o médico tem uma formação em medicina chinesa ou em homeopatia, por exemplo, ele acrescentará perguntas que o ajudarão na hora do tratamento.

 

Depois disto o médico deve realizar o exame físico. É impossível fazer medicina sem examinar, sem olhar cuidadosamente o paciente, sem prestar atenção nos sinais que ajudarão a entender o sofrimento de quem está ali, como por exemplo  se está desidratado, se o pulso está rápido ou lento, ou mesmo até a cor alterada da pele, por exemplo  amarelada (icterícia) e apresentar no peito algumas veias em forma de aranha, que indicam um problema grave do fígado. Sem examinar, fazer diagnóstico é impossível. Alguém pode até achar uma doença em algum exame, mas pode até não ser o problema principal. Isso é o que chamamos de “achado de exame”, muitas vezes sem importância clínica.

 

Neste momento a tecnologia vem ampliar e ajudar os sentidos do médico. O médico deve aferir a pressão arterial, e alguns instrumentos, como o estetoscópio, vão ampliar o ouvido do médico, fazendo-o escutar sopros no coração, arritmias cardíacas, ruídos intestinais, passagem de ar e sons no pulmão.

 

Recentemente mais uma forma de ampliar os sentidos do médico está sendo utilizado, a termografia. A termografia é um tipo de fotografia digital,  que mostra os raios infravermelhos, ou seja, o calor, assim como aqueles óculos militares para enxergar no escuro. Em relação à medicina, o médico vai procurar áreas no corpo onde há mais ou menos calor, e isso vai ajudá-lo nos diagnósticos diferenciais. Futuramente, acredito, que o termógrafo vai ser tão comum quanto o estetoscópio para o médico.

 

Vejam, por exemplo, uma termografia com um ponto mais quente na região do fígado (o qual chamamos de hipocôndrio direito). Isso mostra que, alí por baixo da pele, na área correspondente ao fígado, tem algo que está fazendo  a pele ficar mais quente pois está irradiando mais raios infravermelhos.

 Imagem

Depois de toda a anamnese (conversa) e exame físico o médico já tem algumas hipóteses diagnósticas, e tem uma idéia  como está o emocional do paciente, de como são seus hábitos de vida, e o que o está fazendo sofrer. Ou seja, o “nome da doença”, ou o diagnóstico médico, é importante, mas é somente uma parte da consulta.

 

Só depois de tudo isto chega o momento dos exames complementares que podem incluir exames de sangue, urina, fezes,  exames de imagem como ultra-sonografia, tomografia ou ressonância magnética, eletrocardiograma, entre outros. Mas os exames, como o nome diz, são complementares, não servem para nada sem os passos citados.

 

E finalmente, após anamnese, exame físico, exames complementares, avaliação dos hábitos de vida, o médico está apto, junto com o paciente, a decidir o que podem juntos fazer para que o paciente melhore de saúde e de qualidade de vida.

 

A última coisa é o tratamento, que pode incluir (mas nem sempre) remédios, mudanças de estilo de vida, mudanças alimentares, ajuda de outros profissionais de saúde como farmacêuticos, nutricionistas, naturólogos e fisioterapeutas. E se o tratamento incluir medicamentos com efeitos colaterais, isto deverá ser alertado.

 

Por fim, o bem estar do paciente é o principal objetivo do médico.

 

Mas porque escrevi este texto? Porque estou com a impressão de que alguns médicos, pacientes e outros profissionais de saúde não sabem, não conhecem ou esqueceram o que é uma consulta médica.

 

 

 

 

Sobre o Veto ao Ato Médico

Prezados Amigos,

Sei que há uma polêmica com relação ao ato médico, vetado em sua essência pela presidente Dilma.
Proponho que todos que sejam “contra” em primeiro lugar leiam a lei na íntegra, sem os vetos.
A lei não tolhe ninguém, simplesmente regulamenta o que é a profissão de medicina.

Duas coisas que foram vetadas – Diagnóstico nosológico e Prescrição de medicamentos.

Não há ninguém mais capacitado do que o médico para o diagnóstico nosológico (de doenças). a nutricionista faz diagnóstico nutricional, o fisioterapeuta faz diagnóstico fisioterápico. Agora se o veto for mantido, qualquer um, sem preparo adequado, poderá dar o diagnóstico nosológico.

Também com relação à prescrição de medicamentos farmacológicos, não há profissional mais habilitado do que o médico.

Isso (Diagnóstico e Prescrição) já é feito por médicos há séculos. A lei só vem regulamentar.

Respeito e trabalho com outros profissionais de saúde, e admiro cada profissional.

Agora olhem o que pode acontecer, se a lei ficar com os vetos.

O médico pode fazer qualquer bobagem, que se for cassado pelo CRM, vai poder continuar diagnosticando e prescrevendo. Afinal, diagnóstico e prescrição não são mais exclusividades médicas.

O governo não precisa mais de revalidação de diploma nenhum, pois qualquer profissional pode diagnosticar e prescrever. Então para que revalidar o diploma?

Também não vai precisar ser médico, fazer 6 (ou 8 anos como quer o governo agora) para diagnosticar e tratar o povo. Qualquer um com 3 ou 4 anos de qualquer formação vai poder fazer isso, afinal a lei permite.

Então, do jeito que está, acabou a medicina. Qualquer um com qualquer formação pode prescrever e diagnosticar. A lei não coloca limites, vetou e não regulamentou.

Era melhor sem lei.

Agora virou uma anarquia jurídica.

Quem vai ser prejudicado é o POVO. Aquele que mais necessita do tratamento médico.

Estou em luta a favor da derrubada do veto.

Se o congresso não tomar uma atitude e derrubar esse veto, não são os médicos que serão os maiores prejudicados, mas sim a população que estará totalmente desprotegida.

A Manifestação do dia 17 de Junho de 2013

Raramente eu me posiciono politicamente, porque não consigo ver nenhuma opção política que me agrade. Escolher o “menos ruim” chega a ser patético, faço isso muitas vezes, mas sem a convicção suficiente para defender um ou outro lado.
Agora estou surpreso com a manifestação nas ruas. Uma das melhores coisas do atual governo, que foi a melhora das condições financeiras dos menos favorecidos e do crescimento da nova classe “C”, que associado ao acesso às redes sociais (principalmente o Facebook) criou uma possibilidade antes impensável. Dizia-se na época da ditadura que, se o povo programasse uma manifestação, bastava marcar um jogo de futebol que a manifestação acabava. Estamos no meio de uma copa das confederações, mesmo assim ontem em 11 capitais brasileiras, milhares de pessoas foram as ruas para protestar. Os “20 centavos” foram somente o estopim para a profunda insatisfação das pessoas com o sistema atual de poder, que inclui TODOS os partidos políticos que de alguma forma exerceram o poder após o estabelecimento da democracia no Brasil.
Aproveitando a “onda”, resolvi colocar o que acredito ser um sistema de governo ideal. Muitos vão achar utópico, mas já que as pessoas estão dispostas a mudar a mentalidade, por que não?

1. Fim da corrupção, com tolerância zero. Qualquer pessoa indiciada por corrupção deve ficar inelegível até que se apure a questão, e se for comprovada, cadeia. Simples assim, criminoso deve ser tratado como tal, seja analfabeto ou presidente da república. Em todos os âmbitos administrativos, e nos 3 poderes.
2. Repatriação de todos o dinheiro originado por corrupção, com uma investigação minunciosa de todos os governos anteriores. Realmente é necessário uma “caça às bruxas”.Sei que é impossível governar sozinho, então vamos ter que governar com o povo.
3. Qualquer investimento do governo tem que priorizar saúde, educação e moradia. Chega de “construir banheiro de ouro em barraco”, priorizando obras que vão gerar mais corrupção. Temos o direito de ver o nosso imposto revertido para escolas de qualidade, investimento na manutenção e cuidados com a saúdes (não é só construir hospitais, mas com uma política de saúde pública e alimentação de qualidade). Sei que todos os governos tem políticas assim, mas prioridade é prioridade. O dinheiro tem que vir aqui. Gostaria que meu imposto fosse gasto de maneira que pudesse me orgulhar das escolas públicas, e que ninguém precisasse pagar plano de saúde.
4. Qualquer política assistencialista tem que tem contrapartida do ajudado. Recebe uma bolsa do governo? Vai ter que aprender uma profissão, vai ter que estudar, vai ter que trabalhar para isso.
5. Fim do voto obrigatório. Povo educado vai votar por que quer, não porque é obrigado.
6. Políticos tem que trabalhar por gosto, não pelo salário. Precisa diminuir drasticamente os benefícios para os políticos, chega de mordomia. Se achar pouco, vai trabalhar em outra coisa. Se for roubar, vide ítem 1.
7. Depois dos ítens acima, está na hora de melhorar o patriotismo. Temos que ter orgulho do país que vivemos, e não vergonha. E precisamos urgente de campanhas para melhorar a índole do brasileiro, acabar com a ânsia de ficar mostrando o que tem como sendo importante (e que fomenta a criminalidade).
8. Fim do tráfico de drogas. Como? Legalizando todas as drogas, e com campanhas maciças do efeito real das drogas, vendendo as drogas na farmácia e tratando os viciados. Se hoje quase ninguém fuma cigarro, e quem fuma o faz sabendo a porcaria que é, foi por causa de campanhas de esclarescimento.
9. Precisamos criar uma pátria que as pessoas sintam vergonha da violência, do jeitinho brasileiro, da propina para a autoridade. Com educação já é um bom começo, mas precisamos de uma nova identidade. Pelo fim do “malandro”, pelo fim da “lei de Gerson”. E é possível, tem um monte de gente que quer assim, só precisa dar voz a eles.
O país descrito acima não existe, mas não custa sonhar com um Brasil íntegro, sem jeitinho, onde possamos ter orgulho de ser brasileiros. E não a vergonha que é.
Obrigado aos manifestantes de 17 de Março de 2013.
Dr. Paulo Farber

É Normal?

É normal ficar doente?

É normal aumentarmos nossa insulina com açúcar e amido.
É normal dar açúcar até para crianças. Normal e incentivado.
É normal nos intoxicarmos com álcool, tabaco, pesticidas, conservantes.
É normal fazermos pouco exercício.
É normal nos escondermos do sol, ou passarmos filtro solar.
É normal deixarmos o convívio da família e trabalhar mais para podermos conquistar troféus para mostrarmos a sociedade como estamos “bem”, desde um carro novo, um apartamento maior, ou até uma viagem mais bacana (para mostrar para os outros, claro).
É normal deixarmos de amar.
É normal dormirmos no meio de uma poluição eletromagnética, com aparelhos ligados no quarto.

Daí

É normal ficarmos com as artérias entupidas.
É normal a pressão subir.
É normal o metabolismo de carboidratos ficar maluco, gerando pré-diabetes e diabetes.
É normal nossas glândulas pararem de funcionar como esperado.
É normal a imunidade baixar, sem que possamos nos defender de vírus, bactérias ou fungos.
É normal não sentir ânimo para nada.
É normal já acordar cansado e sentir-se cansado o dia inteiro.
É normal as células do corpo mudarem o DNA e começarem a reproduzir como malucas, gerando tumores.
É normal desenvolvermos anticorpos contra nosso corpo.

Depois

É normal precisarmos de remédios para tratar as doenças.
É normal os cientistas acharem que só ficamos doentes por causa de um gene diferente ao nascimento, gastarem muito dinheiro procurando, e não acharem.
É normal termos que tomar remédios para baixar a pressão arterial e para diabetes.
É normal sugerir que todos tomem um determinado remédio porque ele pode ter algum efeito protetor, mas que destrói os músculos do corpo, já que todos estão doentes mesmo.
É normal tomarmos antidepressivos para sentirmos menos cansados.
É normal envenenarmos o nosso corpo para matar células que estão se reproduzindo.
É normal acabar com as defesas do organismo para que diminua a produção de anticorpos contra ele mesmo.

Eu não acho nada normal. Acho que o dinheiro da ciência deveria ser investido em recuperação de saúde. Acho que os laboratórios clínicos deveriam medir o quanto a pessoa tem de saúde, como por exemplo, através da agregação eritrocitária e das relações coloidais do sangue. Mas está tudo dirigido para a manutenção da doença, e não para a saúde. E é “Normal”.

Colesterol. Será que esse é o inimigo a ser combatido?

Quando o assunto é colesterol, a mensagem que recebemos é clara: “Cuidado, você tem que dosar o seu colesterol. O colesterol aumentado, principalmente o tipo de baixa densidade LDL, entope as artérias do coração e provoca o infarto do miocárdio. Se você tomar remédios para abaixar o colesterol (conhecidos por estatinas), mesmo que você tenha o colesterol normal, você não vai mais ter problemas do coração. O ideal é todo mundo, mesmo os que tem baixo risco de ter um infarto, tomar remédios para baixar o colesterol”.(Kones R. Primary prevention of coronary heart disease: integration of new data, evolving views, revised goals, and role of rosuvastatin in management. A comprehensive survey. Drug Des Devel Ther. 2011;5:325-80)

Mas será que é mesmo assim?

Em primeiro lugar vamos entender o que é o colesterol. O colesterol e seus “parentes” são substâncias naturais envolvidas em várias reações biológicas no organismo, como por exemplo, na fabricação de hormônios. O colesterol foi descoberto em 1789, como parte de cálculos (pedras) que se formavam na vesícula biliar. O nome vem de chole (bile) e stereos (sólido), depois acrescido da terminação “ol” porque se descobriu que era um tipo de álcool, daí colesterol. Já em 1843 identificou-se que nas placas que entupiam as artérias coronárias do coração havia também colesterol. (Nes WD. Biosynthesis of cholesterol and other sterols. Chem Rev; 111(10): 6423-51, 2011). Portanto não podemos viver sem colesterol, que faz parte da nossa fisiologia. Só que alguns problemas de saúde, como as pedras na vesícula biliar ou o entupimento de artérias, estão relacionado ao colesterol. E o raciocínio natural foi “temos que diminuir o colesterol do sangue para evitarmos essas doenças”

Mas será mesmo que o colesterol em excesso faz as pessoas terem mais problemas do coração? A melhor resposta a essa pergunta é um estudo recente realizado na Noruega. Os autores deste estudo acompanharam mais de 52 mil noruegueses por 10 anos, dosando anualmente o colesterol total e acompanhando o número de mortes por qualquer causa, por doenças cardiovasculares (por exemplo, acidente vascular cerebral, ou derrame) e por doença coronariana (ataque do coração). Se o colesterol fosse responsável pelas mortes, esperar-se-ia que quanto maior o colesterol, mais as pessoas morreriam. Mas não foi isso que aconteceu. No caso das mulheres, quanto maior o colesterol, menos mortes por qualquer causa. Também quanto maior o colesterol, menos mortes por doenças cardiovasculares. No caso de doença coronariana, a curva teve a forma da letra “U’, mas o grupo com colesterol muito alto ainda tinha menor número de mortes do que o do colesterol muito baixo. No caso dos homens as curvas obedeciam também uma espécie de” “U”. Ou seja, ter aumento de colesterol não foi suficiente para matar ninguém, e em muitas situações, muito pelo contrário. Os autores concluíram que se os resultados forem generalizados, os atuais algoritmos relacionados aos “perigos do colesterol” têm que ser mudados, em especial para as mulheres, que se beneficiariam com taxas mais altas de colesterol (Thelle DS, Tverdal A, Selmer R. Is the use of cholesterol in mortality risk algorithms in clinical guidelines valid? Ten years prospective data from the Norwegian HUNT 2 study. J Eval Clin Pract. 2012 Jul 25. doi: 10.1111/j.1365- 753.2012.01833.x).

Outro artigo interessante envolveu uma tentativa de baixar o colesterol em quem tinha LDL menor que 130 mg% (não muito alto) com doses de Atorvastatina (um dos remédios mais usados para baixar o colesterol) de 10 mg ou 80 mg. Apesar de conseguirem normalizar o colesterol com a dose de 80 mg, muitos pacientes continuaram a ter ataques do coração. Em um prazo de cinco anos, 20% dos pacientes que já tinham algum risco cardíaco tiveram ataques, que no caso de quem não tinha nenhum antecedente de problema cardíaco essa taxa foi de 10%. Isso quer dizer que apesar do colesterol normal, muita gente continua infartando. Os autores chamaram isso de “risco residual”. (Black, HR, You’ve Finished Off LDL — What Are the Leftovers?. Medscape Cardiology, somente para assinantes no http://www.medscape.com/viewarticle/767817?src=mp&spon=38 . Artigo original: Mora S, Wenger NK, Demicco DA, Breazna A, Boekholdt SM, Arsenault BJ, Deedwania P, Kastelein JJ, Waters DD. Determinants of residual risk in secondary prevention patients treated with high- versus low-dose statin therapy: the Treating to New Targets (TNT) study. Circulation. 2012 Apr 24;125(16):1979-87)

Se não é a quantidade de colesterol no sangue que provoca o aparecimento dos ateromas (as placas que entopem as artérias), o que é então? Atualmente um dos melhores exames para se estimar o risco de termos um evento coronariano é a Proteína C-Reativa ultra-sensível, ou PCR (Albert MA. Biomarkers and heart disease. J Clin Sleep Med. 2011 Oct 15;7(5 Suppl):S9-11). A PCR também é um marcador inflamatório. Mas que tipo de inflamação estamos falando?

Um terço dos pacientes com doença coronariana não apresentam nenhum dos fatores de risco tradicionais. Já há muitos anos sabemos que as placas de ateroma apresentam infecções virais e bacterianas. Muita gente fica muito assustada quando fica sabendo que está com as coronárias fechadas, mas não é isso que causa o infarto. O que causa o entupimento das artérias é a instabilidade da placa de ateroma, ou seja, o rompimento das placas. Hoje se acredita que é a inflamação dentro da placa que provoca a ruptura e entupimento. Na realidade, ainda não se sabe direito como se forma a placa, mas sabemos que se forma em uma região onde houve uma inflamação. Vários micróbios são encontrados nessas regiões, sendo o mais conhecido a Chlamydia pneumoniae (Fazio G et all. Atherosclerosis, inflammation and Chlamydia pneumoniae. World J Cardiol. 2009 December 31; 1(1): 31–40. Rosenfeld ME, Campbell LA. Pathogens and atherosclerosis: update on the potential contribution of multiple infectious organisms to the pathogenesis of atherosclerosis. Thromb Haemost. 2011 Nov;106(5):858-67). Mesmo quem tem colesterol sanguíneo normal pode apresentar placas de ateroma. Alguns pesquisadores acreditam que a formação dessa placa seria devido a um aumento de anticorpos contra as artérias, provocado pela inflamação (Grundtman C, Wick G. The autoimmune concept of atherosclerosis. Curr Opin Lipidol. 2011 Oct;22(5):327-34).

Mas se por um lado o colesterol não mata, ou manter o colesterol baixo não é garantia para não infartar, não há dúvidas que os remédios utilizados para baixar o colesterol diminuem a mortalidade por infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (derrames), tanto em pacientes de alto risco como para quem não tem risco cardíaco. (Tonelli M et all. Efficacy of statins for primary prevention in people at low cardiovascular risk: a meta-analysis. CMAJ. 2011 Nov 8;183(16):E1189-202). Mas o fato destes remédios diminuírem a mortalidade não significa que o mecanismo é porque eles abaixam o colesterol. Eu particularmente acredito que a diminuição do colesterol é um tipo de “efeito secundário” destes remédios.

Na minha opinião, a ação principal destas drogas está nos efeitos conhecidos como “pleiotrópicos” das estatinas. Esses medicamentos, além de baixarem o colesterol, tem efeitos antiinflamatórios, antioxidantes, e principalmente prevenindo os fenômenos trombóticos (coagulação do sangue dentro dos vasos sanguíneos) (Antonopoulos AS, Margaritis M, Shirodaria C, Antoniades C. Translating the effects of statins: From redox modulation to suppression of vascular wall inflammation. Thromb Haemost. 2012 Aug 7;108(5)).

Portanto as estatinas tem efeitos benéficos, e o melhor deles é que provavelmente diminuem a agregação eritrocitária, ou “soltam os glóbulos vermelhos” (Se você não leu sobre isso, pode ler aqui e aqui). Elas diminuem a possibilidade de coagulação intravascular e diminuem a agregação das hemácias, fazem o sangue fluir com mais facilidade e aumentam o fluxo sanguíneo em diversos órgãos. Como a agregação está relacionada com o infarto do miocárdio, a hipertensão arterial, o acidente vascular cerebral e a trombose, os efeitos benéficos dessa classe de medicamento realmente diminuem a incidência de todas essas situações. E realmente as pessoas morrem menos.

Então, esses remédios baixam o colesterol, diminuem a inflamação, agem como antioxidantes e diminuem a possibilidade de trombose. Com isso também diminuem a incidência de infarto do miocárdio e de acidente vascular cerebral. Alguns tipos de estatinas também alteram a quantidade no sangue da vitamina D, que é muito importante na saúde do coração (já falei sobre isso aqui), e os efeitos benéficos destes remédios são bem parecidos com o que conseguimos quando a vitamina D no sangue está normalizada (Wilding PM. Cardiovascular disease, statins and vitamin D. Br J Nurs. 2012 Feb 23-Mar 7;21(4):214-20). Tudo isso seria ótimo se não fosse um problema: O mecanismo de ação desses remédios.

Para conseguir baixar o colesterol, as estatinas alteram a produção de energia celular, dentro de uma organela chamada mitocôndria, diminuindo bastante uma substância muito importante para a produção de energia e funcionamento dos músculos, a coenzima Q10 (Deichmann R, Lavie C, Andrews S. Coenzyme q10 and statin-induced mitochondrial dysfunction. Ochsner J. 2010 Spring;10(1):16-21). A consequência disto é que o funcionamento dos músculos fica muito alterado. Muitas pessoas que tomam as estatinas começam a ter dores musculares, e mais raramente, um problema gravíssimo chamado de rabdomiolise, que destrói o músculo e pode levar até à insuficiência renal, coagulação vascular disseminada e morte (Tomaszewski M, Stępień KM, Tomaszewska J, Czuczwar SJ. Statin-induced myopathies. Pharmacol Rep. 2011;63(4):859-66).

As estatinas são então tóxicas aos músculos, alterando a produção de energia dentro das células musculares. Eu sempre me pergunto, se o remédio faz mal para o músculo estriado esquelético, deve fazer mal para o músculo estriado cardíaco, que é muito parecido, inclusive na produção de energia. Mesmo com todos os efeitos benéficos do remédio, o fato de provocar problemas nos músculos é bastante preocupante, pois pode estar prejudicando o principal alvo da prevenção – O coração!

As estatinas também podem provocar outros efeitos indesejáveis. O uso de estatinas está relacionado com o aumento do aparecimento de diabetes, um dos principais fatores para o risco coronariano (Sattar N et all. Statins and risk of incident diabetes: a collaborative meta-analysis of randomised statin trials. Lancet. 2010 Feb 27;375(9716):735-42), à diminuição de memória (Rojas-Fernandez CH, Cameron JC. Is statin-associated cognitive mpairment clinically relevant? A narrative review and clinical recommendations. Ann Pharmacother. 2012 Apr;46(4):549-57), além de relatos de dificuldade para engolir (Davies GR. Reversible dysphasia and statins. J Korean Med Sci. 2012 Apr;27(4):458-9) e colite isquêmica (Tan J, Pretorius CF, Flanagan PV, Pais A. Adverse drug reaction: rosuvastatin as a cause for ischaemic colitis in a 64-year-old woman. BMJ Case Rep. 2012 Jun 28;2012).

Mas porquê esses remédios são tão receitados? Segundo seus defensores, menos de 1% das pessoas são saudáveis (dados dos Estados Unidos da América), as restantes ou tem diabetes, ou pré-diabetes, ou obesidade, ou hipertensão. Se está todo mundo doente, então tem que dar remédio (Tonelli M et all. Efficacy of statins for primary prevention in people at low cardiovascular risk: a meta-analysis. CMAJ. 2011 Nov 8;183(16):E1189-202).

Resumindo, o colesterol forma as placas que entopem o coração, mas muito mais importante do que o resultado da medida no sangue é a inflamação, a agregação do sangue e os níveis de vitamina D. Somando isso ao pré-diabetes ou diabetes, que aumenta a agregação no sangue e o risco cardíaco, temos a receita do desastre (Gong X, Pan X, Chen X, Hong C, Hong J, Shen F. Associations between Coronary Heart Disease and Individual Components of the Metabolic Syndrome according to Glucose Tolerance Status. J Int Med Res. 2012;40(3):934-42. Adak S, Chowdhury S, Bhattacharyya M. Dynamic and electrokinetic behavior of erythrocyte membrane in diabetes mellitus and diabetic cardiovascular disease. Biochim Biophys Acta. 2008 Feb;1780(2):108-15). Os remedios conhecidos como estatinas melhoram tudo isso, mas às custas de piorarem a saúde dos músculos e nossa produção de energia.

A conclusão é simples. Ou cuidamos da saúde, ou teremos que cuidar da doença. E mesmo tomando todos os remédios não teremos garantia nenhuma que não vamos infartar.

Sempre acreditei que o mais importante na saúde é a qualidade de vida. Não me agrada a possibilidade de um infarto do miocárdio (na minha família é muito prevalente), mas também não me agrada tomar uma medicação que vai prejudicar minha produção de energia e meus músculos. Somente daqui a alguns anos vamos saber as consequências de tanta gente tomar um remédio que altera tanto o metabolismo celular.

Mas então, qual a saída. É muito fácil, é só se manter saudável. Isso envolve:

– Evitar alimentos industrializados.
– Evitar o açúcar e a frutose.
– A dieta deve ser com base em verduras e legumes.
– Evitar o álcool e refrigerantes.
– Evitar adoçantes artificiais.
– Preferir alimentos orgânicos e integrais.
– Tomar sol até a pele começar a avermelhar, monitorando sempre a vitamina D no sangue (fundamental).
– Manter a insulina e a glicose baixas no sangue.
– Beber bastante água (essa deve ser a principal bebida).
– Manter uma atividade física moderada.
– Dormir bem.
– Retirar a maior parte da interferência eletromagnética, principalmente ao deitar (desligar roteadores, desligar aparelhos da tomada).
– Ser feliz (o mais importante!).

Difícil? Eu sigo a fórmula acima. Acho muito mais importante (e seguro) do que tomar remédios. E posso ter qualidade de vida. É o que desejo para todos, mas infelizmente nossos hospitais estão cheios. A informação está aqui. A escolha é de cada um.